
Em 1914, uma menina de 13 anos sentou-se diante de um espelho no palácio da família, segurou com as duas mãos uma câmera Kodak Brownie e apertou o botão. A imagem saiu um pouco tremida, e ela explicou o motivo numa carta a uma amiga: as mãos tremiam. Ela se chamava Anastásia Nikolaevna Romanova e era a filha caçula do czar Nicolau II.
A foto costuma ser apontada como uma das primeiras selfies de adolescente da história. Ela também mostra um lado dos Romanov que os livros de história quase não contam: antes de se tornar um dos grandes mistérios do século XX, aquela era uma família.
Ela tinha 13 anos e uma Kodak
A fotografia era um passatempo da família inteira. Os filhos do czar tinham câmeras próprias e se fotografavam o tempo todo: nos jardins, nas viagens, fazendo caretas, posando nas escadas do palácio. Os álbuns que sobreviveram são cheios de cenas de bastidor, muito diferentes dos retratos oficiais.
O grupo das quatro irmãs

Olga, Tatiana, Maria e Anastásia cresceram tão próximas que criaram uma assinatura coletiva. Em cartas e presentes, assinavam juntas com as iniciais dos nomes: OTMA.
Cada uma tinha seu papel. Anastásia, a caçula, era a shvibzik, algo como “diabinha”, a brincalhona que pregava peças em todos. Tatiana, a mais organizada, era chamada pelas irmãs de “a governanta”.
O czar namorava em inglês

Os pais também tinham seus apelidos: entre eles, eram “Nicky” e “Sunny”. Nicolau e Alexandra, nascida princesa alemã e neta da rainha Vitória, se comunicavam em inglês. Ao longo de mais de vinte anos de casamento, trocaram centenas de cartas apaixonadas, quase todas nessa língua.
Princesas, mas sem mimo

Apesar dos palácios, a educação das filhas era rigorosa. Elas dormiam em camas de campanha, simples e duras, e começavam o dia com banho frio. Era o modelo de formação que os pais consideravam saudável.
Quando a Primeira Guerra começou, a disciplina ganhou outro sentido. A czarina e as duas filhas mais velhas, Olga e Tatiana, fizeram curso de enfermagem e passaram a trabalhar em hospitais militares, cuidando de soldados feridos. As mais novas, Maria e Anastásia, visitavam os pacientes.
Os verões no Standart e o primo “gêmeo”

As férias favoritas da família eram a bordo do iate imperial Standart. Ali, as crianças passavam os dias entre os marinheiros, que acabavam virando companheiros de brincadeira.
Do outro lado do continente, havia um parente com quem Nicolau era frequentemente confundido. O rei George V, da Inglaterra, era seu primo, porque as mães dos dois eram irmãs. A semelhança era tamanha que os dois eram confundidos em fotos e até pessoalmente.
O único sobrevivente

Alexei, o caçula e herdeiro do trono, tinha um cocker spaniel chamado Joy, que o acompanhava por toda parte, inclusive no exílio.
Na madrugada de 17 de julho de 1918, a família foi executada no porão da Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo. Dias depois, Joy foi encontrado perto da casa. O cão foi levado para a Inglaterra, onde viveu até a velhice. Da família Romanov, foi o único que sobreviveu àquela noite.
Antes do mistério, uma família
É essa família que está no centro de O Libelo de Sangue. No thriller de Davi Vieira, um sequestro em Jerusalém desenterra um segredo que atravessa a história dos Romanov. Mas, antes das teorias, dos enigmas e das perguntas sem resposta, havia pais, filhas e um menino com seu cachorro.
O Libelo de Sangue (Editora Giostri) será lançado na quarta-feira, 14 de outubro, às 19h, na Livraria Leitura de Sorocaba. Quem quiser conhecer a história antes do lançamento já pode ler as primeiras páginas.

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