
Na madrugada de 17 de julho de 1918, em Ecaterimburgo, o czar Nicolau II, a czarina Alexandra e os cinco filhos foram acordados e levados ao porão de uma casa requisitada pelos bolcheviques. Com eles desceram o médico da família e três empregados. Disseram-lhes que seriam transferidos. Minutos depois, um pelotão abriu fogo. Nenhum dos onze sobreviveu.
Quase um século depois, em 2017, uma comissão ligada à Igreja Ortodoxa Russa anunciou que examinaria uma hipótese perturbadora: a execução da família imperial teria sido um ritual. O anúncio causou polêmica no mundo inteiro e reacendeu perguntas que nunca foram embora.
Os versos na parede

Quando os investigadores entraram no porão, encontraram nas paredes marcas de bala e algumas inscrições. Uma delas chamava atenção: dois versos em alemão, adaptados de um poema de Heinrich Heine, que diziam que Belsazar foi morto naquela mesma noite por seus servos.
Belsazar é o rei babilônico do Livro de Daniel. Durante um banquete, uma mão misteriosa escreve na parede um aviso de que seu reino chegou ao fim. Ele morre naquela noite. Quem escreveu os versos no porão, e com que intenção, nunca foi esclarecido. Há ainda um detalhe que alimenta especulações: na grafia da parede, o nome aparece como Belsatzar, com um “tzar” no meio.
Ipatiev, do começo ao fim

A outra coincidência é ainda mais estranha. Em 1613, Miguel Romanov estava no Mosteiro Ipatiev, em Kostroma, quando recebeu a notícia de que havia sido escolhido czar. Foi ali que a dinastia começou.
Três séculos depois, o último czar foi executado na Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, que tinha esse nome por causa do proprietário, um engenheiro. A dinastia que nasceu num lugar chamado Ipatiev terminou em outro lugar com o mesmo nome.
Quando a história vira ficção
É nesse território que Davi Vieira situa seu romance. Em O Libelo de Sangue, os versos de Belsazar, a coincidência de Ipatiev e a acusação que atravessou séculos se tornam peças de um enigma.
O Libelo de Sangue (Editora Giostri) será lançado na quarta-feira, 14 de outubro, às 19h, na Livraria Leitura de Sorocaba. Quem quiser conhecer a história antes do lançamento já pode ler as primeiras páginas.

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