Na tarde de 17 de setembro de 2024, o Líbano viveu alguns minutos difíceis de explicar. Em mercados, carros, casas e hospitais, pequenos aparelhos começaram a apitar quase ao mesmo tempo. Segundos depois, explodiram. Eram pagers, e milhares deles estavam nas mãos de membros do Hezbollah.

No dia seguinte, foi a vez de rádios comunicadores. Ao fim das duas ondas de explosões, havia dezenas de mortos e milhares de feridos. Entre as vítimas estavam combatentes do grupo, mas também pessoas que nada tinham a ver com ele, incluindo crianças.

Por que pagers

A escolha do alvo não foi casual. Grupos como o Hezbollah evitam celulares por um motivo simples: smartphones podem ser rastreados, interceptados e transformados em ferramentas de vigilância. Meses antes do ataque, a própria liderança do grupo havia orientado seus membros a abandonar os aparelhos.

Os pagers pareciam a alternativa segura. Uma tecnologia antiga, limitada, difícil de espionar. Foi justamente essa confiança que a inteligência israelense explorou. Os aparelhos foram sabotados ainda na cadeia de fornecimento, com explosivos escondidos em seu interior, e chegaram ao grupo como equipamento comum. O que deveria proteger a comunicação virou instrumento de combate.

O alvo e o resto

Do ponto de vista operacional, o ataque foi um feito raro: atingiu de uma só vez uma rede inteira, sem que os alvos desconfiassem de nada. Mas um pager não sabe quem o está segurando. Ele explode na mão de quem estiver por perto, seja um combatente, um familiar ou uma criança que pegou o aparelho para entregá-lo ao pai.

“O explosivo não seleciona o tipo de pessoa que ele vai atingir”, observa Davi Vieira. Para o autor, é aí que mora a questão mais incômoda do episódio: a precisão tecnológica de uma operação não garante precisão moral.

Instituições reais, ficção ancorada nos fatos

O caso dos pagers é um dos elementos operacionais inspirados em fatos reais que aparecem em O Libelo de Sangue. E não são só as operações. As instituições que movem a trama também existem: o Mossad é o serviço de inteligência externa de Israel, o Shin Bet responde pela segurança interna e o Knesset é o parlamento do país.

Sem entregar spoilers, Davi Vieira explica que o livro se interessa pelos dois lados dessas histórias. De um lado, o funcionamento das operações, com seus detalhes técnicos e sua lógica fria. De outro, o olhar crítico sobre o emprego delas e sobre quem paga o preço quando a guerra passa a caber no bolso.


O Libelo de Sangue (Editora Giostri) será lançado na quarta-feira, 14 de outubro, às 19h, na Livraria Leitura de Sorocaba. Quem quiser conhecer a história antes do lançamento já pode ler as primeiras páginas.

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O LIBELO DE SANGUE

O filho do primeiro-ministro de Israel é sequestrado num ritual ligado à morte dos Romanov. Um historiador em desgraça tem pouco tempo para decifrar o enigma.

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O sequestro do filho do primeiro-ministro de Israel poucos dias antes da Páscoa, em pleno coração de Jerusalém, parece a princípio apenas mais um episódio da notória instabilidade política da região. Mas o que se revela em seguida é uma conspiração de proporções inimagináveis. Um enredo que atravessa séculos e entrelaça profecias bíblicas, o destino trágico da Família Romanov e uma trama de enigmas capaz de desafiar até mesmo o Mossad.

Enquanto o mundo acompanha o caso em tempo real, um protagonista improvável é arrastado para o centro da crise: Emil Malache, historiador cético e movido por suas próprias frustrações, que se vê forçado a percorrer locais milenares e reconstruir, fragmento a fragmento, uma história cuidadosamente arquitetada para ser decifrada.

À medida que o cerco se fecha e a tensão cresce, Emil descobre que alguém pretende transformar a memória em arma: usar o passado para consumar uma vingança e reescrever o destino de uma nação inteira, valendo-se, para isso, das armas mais modernas concebidas pelo homem. Inspirado em fatos reais, figuras históricas e tendo Jerusalém com suas múltiplas camadas históricas como pano de fundo, O Libelo de Sangue é um thriller que caminha na fronteira entre história, fé e poder, principalmente na perigosa intersecção que existe entre eles.

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