
INFORMAÇÕES GERAIS
- Título: O Evangelho segundo Hitler
- Autor: Marcos Peres
- Editora: Record
- Ano: 2013
- Prêmios: Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013 e Prêmio São Paulo de Literatura (romance de estreia de autor com menos de 40 anos)
SINOPSE
Em Buenos Aires, um jovem que sonha ser escritor carrega um fardo curioso: tem exatamente o mesmo nome de Jorge Luis Borges. Para impressionar Raquel, a moça por quem é apaixonado, ele monta um livro artesanal fingindo ser o escritor famoso e inclui nele um conto do homônimo, “Três versões de Judas”, que apresenta uma face diferente do traidor de Cristo.
A mentira inocente vira uma avalanche. O namorado alemão de Raquel, Rech, lê o conto e passa a ver no Borges desconhecido um profeta de uma nova ordem mundial. Arrastado para uma seita que busca o oráculo certo para reinterpretar o Novo Testamento, o “outro” Borges atravessa Argentina, Alemanha e Suíça até Genebra, com a missão de matar o verdadeiro Jorge Luis Borges. No centro de tudo, uma tese tão absurda quanto sedutora: o nazismo teria nascido de um efeito borboleta iniciado num conto de Borges e posto em movimento pelo coração apaixonado de seu homônimo.
FATOS & FICÇÃO
“Três versões de Judas”. O conto é real, publicado por Borges em Ficções (1944). Nele, o teólogo sueco Nils Runeberg defende que o verdadeiro redentor teria sido Judas, e não Jesus. O detalhe é que Runeberg nunca existiu.
O duplo e Genebra. O xará de Borges vem de um conto real, “O Outro” (1975), em que o Borges velho conversa com o Borges jovem. Genebra também tem base real: Borges viveu lá na adolescência e voltou à cidade para morrer, em 1986. Como não conhecia a cidade, Peres usou o Google Maps para localizar a casa de Borges e refazer o trajeto do aeroporto até ela.
Borges, o antinazista. A ironia central é que o Borges real foi um crítico declarado do nazismo e escreveu contra Hitler nas décadas de 1930 e 1940. Em “Deutsches Requiem” (1949), deu voz a um oficial nazista justamente para expor a lógica monstruosa do regime. Atribuir a ele a “semente” do nazismo é a grande provocação do livro.
A Lança do Destino. A relíquia existe e está no Tesouro Imperial de Viena. Os nazistas a levaram para Nuremberg em 1938 e ela voltou a Viena depois da guerra. Já a lenda de que Hitler era obcecado pela lança vem de um livro de 1973 considerado pouco confiável pelos historiadores.

