DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
Definição
- Neoplasias indolentes
- Progenitor hematopoiético “multipotente”
- Ausência de bloqueio à maturação celular
- Forma 1 ou + elementos figurados do sangue “normais” (sem displasia)
- Tendência à mielofibrose
- Tendência à hematopoiese extramedular
- Pode se transformar em leucemia aguda
Classificação (OMS)
- Proliferação mieloide: Leucemia mieloide crônica t(9;22)/Philadelphia, Leucemia neutrofílica t(15;19)/eosinofílica crônicas del(PDGFR-alfa), Mastocitose. Sobrevida em anos.
- Proliferação eritroide e megacariocítica: PV, MI, TE JAK-2 (V617F). Sobrevida em décadas.
- Neoplasia mieloproliferativa não-classificavel
POLICITEMIA VERA
Definição
- Mieloproliferativa mais comum
- 2.5-10 casos/100mil (predomínio mulheres)
- Prevalência aumenta com a idade
- Aumento de hemácias, de plaquetas e de granulócitos na ausência de um estimulo fisiológico para tal
- Etiologia desconhecida
- Alteração citogenetica recorrente? Não!
- JAK-2 (V617F) > 95%
Quadro clínico
- Aumento hemoglobina/hematócrito (trombocitose/leucocitose/esplenomegalia)
- Aumento viscosidade sanguínea: alterações neurológicas (ex. zumbido, visão, AIT), HAS sistólica, isquemia extremidades, pletora/dispneia, HDA (basofilia/histamina).
- Trombofilia: Sd. Budd-Chiari (mulher jovem)
- Prurido “aquagênico”/eritromelagia (tto AAS)/migrânea ocular (escotomas/amaurose < 1h com cefaleia durante ou após)
- “Hipermetabolismo”: gota, caquexia
Diagnóstico
- Aumento Hb/Ht
- 1º. Passo: eritrocitose absoluta? Hemácias marcadas com Cr51 – normal (síndrome de Gaïsbock/hemoconcentração) ou aumentado (seguir adiante).
- 2º. Passo: dosar EPO – baixa (policitemia vera/ pesquisa JAK-2 V617F) ou aumentada (avaliar SatO2 – baixa em cardio/pneumopatia ou normal em hemoglobinopatia/TC “total” EPO paraneoplásica). Produção ectópica de EPO: carcinomas/cistos renais, hemangioma cerebelar, leiomioma uterino, hepatoma.
- Caminho alternativo (Hm Cr51 indisponível): SatO2 normal + JAK-2 (V617F)
- Aspirado/biópsia MO? Não é obrigatório para fechar diagnóstico. Não há alterações citogeneticas características, normal ou idêntico à MFT ou TE
Tratamento
- Flebotomias: homem Hb <= 14g/dL, Ht < 45%; mulher Hb <= 12g/dL, Ht < 42%
- Trombocitose? Só trata se sangramento (DvWB adquirida)
- Drogas: hidroxiureia, anagrelida, PEG-IFN-alfa
- Terapia em estudo: ruxolitinib (inibidor JAK-2)
- Anticoagulação: somente se história de trombose
- Agentes alquilantes ou radioisótopos: proscritos – risco de leucemização
MIELOFIBROSE PRIMÁRIA/IDIOPÁTICA
Definição
- Antiga “metaplasia mieloide agnogênica”
- Predomínio homens idosos
- Fibrose medular, esplenomegalia, hematopoiese extramedular
- Etiologia desconhecida
- Alteração citogenética recorrente? Não!
- JAK-2 (V617F) ~50%, Mpl (gene do receptor de trombopoietina) ~5%, restante CALR.
Quadro clínico
- Esplenomegalia maciça
- Assintomático ou sudorese noturna, fadiga, perda ponderal
- Anemia + leucócitos/plaquetas normais ou aumentados
- Leucoeritroblastose (hemácias nucleadas, leucócitos jovens) / dacriocitose (hemácias em lágrimas) – hematopoiese extramedular intensa!
- AMO seco
- Rx: osteosclerose
- Biópsia de MO: aumento reticulina e colágeno + hipercelularidade das 3 linhagens hematológicas
- Doença identificável na MO: mieloftise (mielofibrose secundária)
- Diagnóstico por exclusão
- Podem ocorrer fenômenos autoimunes, como FAN+, FR+, teste de Coombs+, imunocomplexos circulantes.
Prognóstico
- Falência medular progressiva (transfusões-dependente)
- Organomegalia crescente: saciedade precoce (caquexia), hipertensão porta (varizes de esôfago, ascite), hipertensão pulmonar, HIC, tamponamento cardíaco, obstrução intestinal e uretral, compressão medula espinhal, nódulos cutâneos.
- ~10% crise blástica: LMA refratária
Tratamento
- Prednisona + Talidomida
- Ruxolitinib (inibidor JAK-2)
- Esplenectomia proibida: trombose mesentérica, hemorragia, aumenta transformação blástica
- Transplante alogênico de medula: curativo
TROMBOCITOSE ESSENCIAL
Definição
- Aumentos de plaquetas na ausência de estimulo fisiológico
- 1-2 casos/100mil (predomínio em mulheres)
- JAK-2 (V617F) ~ 50% (resto: mutações CALR)
- Trombocitose (pode ter macroplaquetas): assintomática
- Hipercalemia espúria (artefatual): colocar o tubo no gelo!
- Esplenomegalia pouco importante
- Plaquetas muito altas (> 1M/mm3) preveem trombose? Não! Massa eritrocitária aumenta mais a viscosidade do sangue, ex.
- Risco de trombose na TE: idade > 60 anos, tabagismo.
- Na realidade, aumenta o risco de hemorragia: DvWB adquirida.
Tratamento
- Diminuição de plaquetas (> 60 anos, leucócitos > 11mil, trombose prévia): hidroxiureia, anagrelida, INF-alfa.
- Se sangramento: documentar c/ teste da ristocetina
- Evitar AAS
- AEAC terapêutico (também na profilaxia perioperatória)

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