Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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Linfomas Hodgkin e Não-Hodgkin
Mieloma múltiplo, macroglobulinemia de Waldestrom

LINFOMAS NÃO-HODGKIN

Suspeita de linfoma

  • Linfadenomegalia indolor > 2,5cm – requer biópsia!

Conceitos gerais

  • Grupo heterogêneo
  • Etiopatogênese: translocações cromossomiais “balanceadas”
  • Proto-oncogene – gene de imunoglobulina (linfoma B); proto-oncogene – gene de receptor de células T (linfoma T).
  • Classificação: 85% células B/ 15% células T; indolentes ou agressivos.

Clínica

  • Linfadenopatia: isolada x difusa; central x periférica; sítios extranodais? Sintomas B (marcadores de pior prognóstico)?
  • Sintomas B: febre, sudorese noturna, perda ponderal (> 10%)
  • Linfomas indolentes: disseminados ao diagnóstico! Linfadenopatia difusa + MO.

Laboratório

  • Sangue periférico normal (difere de leucemia)
  • DHL alta (parâmetro prognóstico)
  • Aspirado x biópsia do linfonodo
  • MO: agregados linfócitos monoclonais paratrabeculares
  • Linfomas agressivos ou marcadores de mau prognóstico: punção lombar! Citologia oncótica do LCR.

Estadiamento

  • PET-scan (ou TC)
  • Biópsia MO
  • Linfoma agressivo: punção lombar

Tratamento de formas indolentes

  • Estagio inicial (1 ou 2 cadeias linfonodais): RT curativa
  • 85% doença disseminada incurável (tratamento não muda a sobrevida) – só trata se sintomas ou “bulk” (paliação)
  • Rituximab (anti-CD20) + QT – R-CHOP
  • Radioimunoconjugados: I90, I131

Tratamento de formas agressivas

  • Difuso de grandes células B: localizado – 3 ciclos R-CHOP + RT campo envolvido; disseminado – 6 ciclos R-CHOP; recidiva – TMO.
  • Células do manto: refratário à imunoQT convencional; 1ª. Linha – TMO; recidiva – ibrutinib.
  • Burkitt/linfoblástico: = LLA (incluindo profilaxia intratecal)
  • Célula T periférico (grandes células anaplásico): diagnostico em estagio muito avançado; 1ª. Linha – TMO; recidiva – Adcetris (“imunotoxina” – anti-CD30 + peptídeo de conexão + MMA).

Prognóstico

  • Linfomas indolentes: sobrevida média 10-15 anos
  • Linfomas agressivos: Internacional Prognostic Index (IPI) – idade > 60 anos, DHL alta, performance status >= 2, estágio III ou IV, > 1 sítio extranodal – 0 = 80% de cura, 4 ou 5 = <50% cura.

LINFOMAS HODGKIN

  • Célula de Reed-Sternberg: pano de fundo “apropriado” reacional + núcleo bilobulado
  • Origem: oriunda de células B do centro germinativo

Clínica e diagnóstico

  • Distribuição bimodal (pico aos 20 anos e 50 anos)
  • Geralmente linfadenopatia cervical
  • Disseminação por “contiguidade”
  • Alguns abrem só com sintomas B ou prurido
  • Achado clássico: dor nodal após ingesta etílica
  • Diagnóstico: biópsia
  • 2 subtipos: clássico – esclerose nodular (mais comum), celularidade mista, rico em linfócitos, depleção linfócitos (HIV); não-clássico – predomínio linfócitos nodulares.

Estadiamento

  • PET-scan (ou TC)
  • Biópsia MO
  • Ann-Arbor: I apenas 1 cadeia linfonodal afetada; II 2 ou mais cadeias, um lado do diafragma III doença nos dois lados do diafragma IV doença disseminada, lesões extranodais (+ B, se sintomas B presentes)

Tratamento

  • ABVD
  • Estágio I e II (sem bulky) “baixo risco”: 3 ciclos ABVD + RT campo envolvido
  • Estágio III e IV (II com bulky) “alto risco”: 6 ciclos ABVD
  • Recidiva: TMO autólogo – Adcetris

Prognóstico

  • Estágios I e II: > 80-90% cura
  • Estágios III e IV: 50-60%
  • Idade avançada, bulky, depleção linfocitária e celularidade mista: pior prognóstico.

MIELOMA MÚLTIPLO

Conceitos

  • “Discrasia” plasmocitária (krasys = mistura)
  • Célula de Mott: plasmócitos com múltiplos vacúolos de imunoglobulina
  • Infiltração e destruição MO (plasmocitose) ou “plasmocitoma” + lesão de órgão-alvo
  • Com ou sem produção de paraproteínas

Fisiopatologia

  • “Plasmocitoma”: compressão medula espinhal, tumor de tecidos moles;
  • Reabsorção óssea: diminuição da osteoprotegerina, aumento citocinas inflamatórias;
  • Paraproteinemia: hiperviscosidade (Ig), deposição tecidual (cadeias leves);
  • Ocupação medular: anemia, pancitopenia;
  • Imunodepressão: neutropenia, diminuição Ig normais (germes encapsulados).

Clínica e laboratório

  • Homem, idoso, negro;
  • Anemia + dor óssea (lombar) + aumento VHS;
  • Insuficiência renal + hipercalcemia;
  • Pico monoclonal (“M”) soro e/ou urina: PEP / IFE;
  • Síndrome da hiperviscosidade: alteração do sensório, distúrbios visuais, náusea, vertigem, sangramentos vucosos.
  • Amiloidose AL: glomérulo/neuropatia, macroglossia, hepatoesplenomegalia.

Subtipos

  • IgG 60%
  • IgA 20%
  • CL 15%
  • IgD, IgM, gamopatia biclonal
  • MM “não secretor”: pior prognóstico!

Exames de imagem

  • Inventário radiográfico: lesões líticas!
  • Obs: cintilografia não!
  • RNM e PET-scan mais sensíveis

Diagnóstico

  • Critério obrigatório: >= 10% plasmócitos MO
  • Critérios adicionais: “caro” (cálio, anemia, rim, osso) + “biomarcadores” (plasmócitos > 60%, índice CL soro > 100, 1 ou mais lesão focal em RNM)

Diagnóstico diferencial

  • MGUS: plasmócitos MO < 10%, componente M (< 3g/dL), sem lesão de órgão-alvo; 1% dos adultos, 1% aa vira mieloma;
  • “MM indolente” (smoldering): plasmócitos MO >= 10%, componente M (> 3g/dL), sem lesão de órgão-alvo, sem biomarcadores.

Tratamento

  • RVD: lenalidomida (neutropenia, TEV); bortezomib (neuropatia – substituir por carfilzomib); dexametasona.
  • Idade < 74 anos: TMO autólogo (consolidação)
  • Lesões ósseas: RT externa
  • Hipercalcemia aguda: HV + diurético de alça + bifosfonados (pamidronato)
  • Hipercalcemia crônica: ácido zoledrônico EV mensal

Prognósitco

  • International stating system (ISS)
  • Estágio 1: albumina >= 3,5 / beta2microglobulina < 3,5
  • Estágio 2: albumina < 3,5 / beta2microglobulina intermediária
  • Estágio 3: independe da albumina / beta2microglobulina > 5,5
  • Genética: t(4;14); t(14;16); alterações 17p

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