Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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INTRODUÇÃO

Quimioterapia

  • Toxicidade tumoral: efeito terapêutico
  • Toxicidade medular: diminuição da imunidade inata
  • Mucosite: quebra de barreira (TGI)
  • Invasão a partir do TGI, trato respiratório alto e pele (principalmente se cateter profundo).

Introdução

  • A febre pode ser o único sinal de infecção; outras manifestações flogísticas estarão atenuadas pela própria neutropenia.
  • Emergência médica infecciosa
  • ATB empírico de amplo espectro após coleta de 2 sets de hemocultura: cobrir gram + e gram -; cobrir Pseudomonasaeruginosa! Se cateter, coletar do cateter (incluindo um de cada lumen se for o caso).

Definições

  • Neutropenia: polimorfonucleares(compreendem os granulócitos: neutrófilos, eosinófilos e basófilos) + bastões < 500 ou polimorfonucleares + bastões < 1000 com previsão de queda para < 500 em 48h;
  • Neutropenia profunda: < 100
  • Febre: oral >= 38.3ºC medida única, oral >= 38ºC > 1h, axilar > 37.8ºC medida única.
  • Febre pode não ocorrer (corticoides, Qt profunda); pode ocorrer dispneia, hipotermia, hipotensão arterial etc.

AVALIAÇÃO DO PACIENTE

Estratificação de risco

  • Alto: pelo menos 1 dos abaixo – expectativa de neutropenia > 7 dias (neolinfoproliferativas), disfunção orgânica aguda/crônica, Mucosite GI intensa, sinais de infecção de cateter
  • Baixo: ausência de todos os critérios de alto risco
  • Escore MASCC: muito específico

ATB

  • Alto risco: EV internado
  • Baixo risco: EV ou VO ambulatorial (após 6-24h de observação no hospital)

Avaliação clinica global

  • Alto risco de germe resistente? Colonização ou infecção documentada prévia, internação recente.
  • É possível identificar um sitio de infecção? Buscar dor e/ou eritema.
  • Não fazer toque retal! Evitar translocação bacteriana. Nem colonoscopia ou retossigmoidoscopia; EDA e BFC pode.
  • Além da hemocultura: HMG, hepatograma, função renal e eletrólitos; outras exames e culturas conforme indicação clínica!

INFECÇÃO ASSOCIADA AO CATETER VENOSO PROFUNDO

Infeccao

  • Túnel subcutâneo: flogose local (ausente na neutropenia);
  • Lumen do cateter: sangue coletado pelo cateter positiva > 120 minutos ANTES que o do periférico
  • Gram + mais comum

Conduta

  • Obrigatório retirar o cateter: S. aureus; P. aeruginosa; Candida; micobactérias de rápido crescimento; infecção do túnel.
  • Retirada opcional (fazer “antibiotic-lock”/salinização c/ ATB): Staphylococcuscoagulase-negativo.

Prevenção

  • Assepsia e antissepsia durante inserção
  • Higienização das mãos antes e após manipulação
  • Preferencia pelo clorexidine
  • Uso de cateter impregnado com ATB

PRECAUÇÕES AMBIENTAIS

Internação

  • Enfermaria comum
  • Se TMO: quarto individual com pressão (+) e filtro HEPA
  • Plantas, animais e pessoas doentes PROIBIDOS
  • Álcool gel SEMPRE

Dieta

  • Dieta “sem crus”
  • Alimentos de boa qualidade e higienizados

Pele e mucosas

  • Banho diário (atenção ao períneo – limpar após evacuação)
  • Mulheres: após micção, secar períneo (anteroposterior)
  • Menstruação: tampões intravaginais PROIBIDOS!
  • Escovar dentes 2x/dia, enxaguar 4-6x/dia (solução bicarbonato)

TRATAMENTO

Esquema empírico inicial

  • Alto risco: ATB EV, internação hospitalar; monoterapia com betalactâmicoanti-Pseudomonas; cefepime, ceftazidime, piperacilina-tazobactam, ticarcilina-clavulanato, aztreonam, mero/imipenem (ertapeném não!); associa vancomicina se hipotensão, infecção CVP, pele ou PNM, colonização MRSA.
  • Alergia BL: ciprofloxacino + clindamicina; alergia vanco: linezolida, dapto
  • Baixo risco: ATB EV ou VO, pode ser ambulatorial; ciprofloxacino + amoxicilina-clavulanato.

Modificam esquema empírico

  • Infecção ou colonização MDR previa documentada; internação recente em hospital com elevada MDR: MRSA – vancomicina, linezolida ou daptomicina; VRE: linezolida ou daptomicina; ESBL – carbapenêmicos; KPC: polimixina/colistina ou tigeciclina.
  • Suspeita de C. difficile (diarreia importante): associar metronidazol ou vancomicina oral.

Conduta subsequente

  • Germe isolado em hemocultura: adequação do ATB
  • Nenhum germe é isolado: manter esquema empírico
  • Se fez vancomicina: pode suspender se hemocultura negativa após 48h
  • Duração do tratamento: até PNM + bastões > 500 ou caso sítio infeccioso identificado (ate completar a duração recomendada para aquele sitio); o que for maior.
  • Febre: baixo risco > 2 dias (se cultura negativa, internar + ATB EV anti-Pseudomonas); alto risco > 2-4 dias – paciente estável (só muda ATB se for indicado por cultura; se não, manter ATB + protocolo de reavaliação diagnóstica), paciente instável (amplia espectro ATB c/ consulta CCIH; antifúngico empírico; protocolo), úlceras orais/odinofagia (aciclovir p/ cobrir herpes simplex; antifúngico p/ cobrir Candida).
  • Protocolo de reavaliação diagnostica: em todos – novo set de hemocultura, TC de tórax (sinal do halo – aspergilose invasiva, possível infecção fúngica) e seios da face (sinusite), galactomanana e beta-glucana (infecção fúngica; se indícios de infecção específica – exames apropriados ao quadro clínico (ex. disúria – URC, PNM – LBA, diarreia – toxina C. difficile + TC abdome c/ contraste/tiflite ou enterocoliteneutropênica).
  • Alteração do tratamento: febre persistente + evidencias de infecção fúngica invasiva (“tratamento preemptivo”) – anfotericina B, voriconazol ou caspofungina; BGN (bacilo Gram -) isolado + febre persistente – associar aminoglicosídeo; mucosite grave, gengivite necrosante e/ou dor perianal – associar antianaeróbio (clinda, metro).
  • Fatores estimuladores de colônia (G-CSF, GM-CSF): na vigência de neutropenia febril, não tem beneficio; alto risco (> 20%) antes da Qt, diminui mortalidade.

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