Indicações de intubação
- Proteção das vias aéreas
- Alivio de obstrução
- Necessidade de VM e oxigênio
- Insuficiência respiratória
- Choque
- Necessidade de hiperventilação
- Necessidade de reduzir o trabalho respiratório
- Necessidade de facilitar a aspiração/toalete pulmonar
- Quadro clínico é fundamental, não apenas ECG
Controle de via aérea do paciente grave
- Alta porcentagem de complicações em UTI: pré-oxigenação ineficiente, urgência do procedimento, baixa reserva pulmonar, estômago cheio (gastroparesia x urgência), impossibilidade de avaliação prévia.
- Período crítico
Avaliação da probabilidade de ventilação difícil com Bolsa-Válvula-Máscara (BVM)
- MOANS
- Mask seal: barba, coágulo
- Obesiy/obstruction
- Age > 55 anos
- No teeth (sem dentes)
- Stiff (rigidez torácica)
- Pode levar ao cenário: não intubo e não ventilo
Avaliação da probabilidade de via aérea difícil (VAD)
- LEMON
- Look externally
- Evaluate 3-3-2
- Mallampati (I-IV)
- Obstruction
- Neck mobility
- Intubação difícil: > 3 tentativas; > 10 minutos; pelo mais experiente.
- Possibilidades: IOT acordado/fibroscopia – se puder aguardar; dispositivo supraglótico (máscara laríngea) – se não.
Intubação – Sequência rápida (SRI)
- Preparação: checklist; considerar chamar ajuda precoce.
- Pré-oxigenação: fase por vezes negligenciada; objetivo de evitar hipoxemia durante IOT; FiO2 100% em máscara não reinalante entre 4-8 minutos; uso da VNI?; cuidado com CPAP na pré-oxigenação – encefalopatia, coma, PCR, hipercalemia, distensão abdominal.
- Pré-medicação: atenuar resposta cardiovascular (resposta pressórica)e das vias aéreas à intubação (ex. cardiopatas/HIC); opioides – fentanil 2mcg/kg, alfentanil 30mcg/kg, remifentanil 1mcg/kg – devem ser administrados antes da indução, o que pode não ser possível em situações emergenciais; lidocaína 1,5mg/kg – administrada em geral 3 minutos antes da indução – objetivos – menor resposta hemodinâmica da IOT, menor elevação de PIC, menor dor na injeção de propofol – beneficio x risco de hipotensão.
- Indução e bloqueio neuromuscular: indução – exceto se paciente estiver completamente arresponsivo (PCR/pré-PCR); etomidato – dose 0,3mg/kg, hipnose por 5-10 minutos, vantagens – mínimo efeito hemodinâmico, paciente com choque ou TCE, desvantagens – insuficiência adrenal, náuseas/mioclonias/baixa limiar de convulsão; quetamina – dose 2mg/kg, vantagens – analgésico, sedativo, amnésico, simpatomimético, não abole respiração espontânea/proteção de via aérea, broncodilatador, desvantagens – aumento PIC e VO2 pelo miocárdio; propofol – dose 2mg/kg, vantagens – rápido inicio e fim de ação, antiemético, diminui PIC, desvantagens – instabilidade hemodinâmica; midazolam – dose 0,15mg/kg, vantagens – muito disponível, poucos efeitos colaterais, desvantagens – inicio e final de ação lentos, hipotensão; succinilcolina – despolarizante, dose 1-1,5mg/kg, vantagens – ótimas condições de IOT, rápido inicio de ação e duração curta, desvantagens – suprime drive respiratório, lembrar das contraindicações (hipercalemia, grandes queimados); rocurônio – não despolarizante, dose 0,6-1 mg/kg, vantagens – menor número de contraindicações, desvantagens – maior duração do efeito.
- Pressão cricoide? Manobra de Sellick – não fazer em PCR
- Intubação: posicionamento – alinhar eixos traqueal, laringe e oral; Cormack-Lehane – classe I-IV (II-III fio “Bougie” – quando ventilo e não intubo – outra opção, mascara laríngea)
- Confirmação primária e secundária: checagem primária – exame físico em epigástrio, hemitórax E e D, epigástrio – na dúvida, pare a ventilação e cheque com laringoscópio; checagem secundária – detecção de CO2 (capnógrafo).
Não intubo e não ventilo
- Cricotireoidostomia: punção, cirúrgica ou kits.
Objetivos da VM
- Avaliar o trabalho respiratório do paciente
- Corrigir hipoxemia
- Corrigir hipercapnia
- Não agravar a lesão pulmonar existente: barotrauma, volutrauma, atelectrauma, biotrauma
- Monitorização
Conhecimento obrigatório
- Montagem do respirador
- Identificação de curvas e problemas
- Não usar modos de ventilação em que não souber regular variáveis de fases e alarmes
- Não usar modos de ventilação em que não souber vantagens e desvantagens.
- Principais modos: CPAP, pressão de suporte, SMV, volume controlado, pressão controlada.
- Curvas: volume corrente, ,
Indicações de VM
- Alterações da oxigenação: hipoxemia refratária, necessidade de PEEP, trabalho respiratório excessivo.
- Alterações da ventilação: fadiga muscular respiratória, alterações da parede torácica, doenças neuromusculares, drive respiratório diminuído, aumento da resistência da via aérea/obstrução, necessidade de sedação/BNM, redução de consumo de O2, hiperventilação para HIC.
Oxigenação (PaO2)
- Principais determinantes: FiO2; pressão media de via aérea.
- Objetivos: SatO2 > 92%; FiO2 < 0.50.
Ventilação (pCO2)
- Principais determinantes: volume corrente; FR; espaço morto.
- Objetivos: manter Ventilação Minuto sem induzir efeitos indesejados.
Conceitos
- Ciclo respiratório: 4 fases – inspiratória/transição ins-exp/expiratória/transição exp-insp. Controlado pelo paciente (assistido), pelo ventilador (controlado).
- variáveis
Ajustes iniciais da VM
- Monitorização adequada: ECG, SatO2, FC, PA, FR
- Modo ventilatório mais familiar
- FiO2 = 1.0; reduzir para manter SatO2 92-94%;
- Volume Corrente Inicial = 6-8mL/kg (peso ideal)
- Reduzir VC para evitar PPI (5-6mL/kg)
- Volume Minuto 6-8L/min
- Ajustar FR/Vol. Minuto pelo pH/pCO2
- PEEP para ajuste de oxigenação: início com 5cmH20; valores > 15 raramente utilizados.
- Avaliar necessidade de analgesia, sedação, BNM (sincronia).
Avaliação após ajustes iniciais
- Rx tórax
- PIP/Pplatô
- FR/VC expiratório
- Sincronia paciente-ventilador
- Relação I:E
- Auto-PEEP (hiperinsuflação)
- Hemodinâmica
- GASA
Potenciais complicações da VM
- Lesão pulmonar por oxigênio;
- Barotrauma/volutrauma/biotrauma;
- Lesão induzida por volumes/pressões elevadas em áreas mais complacentes;
- Alterações hemodinâmicas por pressão intratorácica muito positiva.
Ajustes iniciais da ventilação mecânica na SDRA
- Complacência pulmonar reduzida determina elevação da P do sistema;
- VC baixo frequentemente necessário (4-6mL/kg);
- Manter PPI <=30 cmH20;
- PEEP para melhorar complacência/oxigenação.
- Metas: PaO2 55-80mmHg, VC baixo necessário (iniciar com 6mL/kg, baixar até 4mL/kg S/N), Pplat <= 30cmH20, pH > 7,15 aceitável, ajuste da PEEP conforme FiO2
Ajustes iniciais da ventilação mecânica Asma/DPOC
- Demandam tempo expiratório maior
- Risco de auto-PEEP
- PaCO2 deve ser mantida nos níveis normais do paciente
Hipotensão após início da VM
- Pneumotórax hipertensivo
- Diminuição do RV/hipovolemia
- Auto-PEEP
- Isquemia miocárdica
- IOT
- Hipoxemia
- Acidemia
- Estresse de intubação
Ajuste de alarmes
- Causas em potencial para alarmes de pressão alta: extubação / acotovelamento / rolha; acúmulo de água no circuito; aumento da resistência das vias aéreas (broncoespasmo, rolha); diminuição da complacência pulmonar (edema pulmonar/hiperinsuflação/pneumotórax/distensão gástrica maciça/Sd. compartimento abdominal); dissincronia paciente-respirador.
- Para parar o alarme: avaliação do paciente e intervenção; se hipoxêmico ou descompensado – desconectar do ventilador e iniciar ventilação manual; confirmação imediata da posição do tubo e de sua patência (aspiração, dispositivos para detecção de PaCO2, ausculta).
Definições
- Desmame: processo de independência entre o paciente e o ventilador; iniciado após o controle da doença e ocupa 42% do tempo de VM.
- Descontinuação: momento da retirada.
- Visão clássica x alternativa: desmame iniciado após IOT e ocorre em paralelo com melhora da doença de base e descontinuação faz parte da reta final do desmame.
- VM é um suporte a vida (IMOS)
- Deve oferecer o mínimo para esta função
- Não deve ser lesiva
- Ventilações espontâneas assim que possível (musculatura)
- A ventilação não deve ser estática
- Não é necessário o coma farmacológico
Complicações da VM
- Via aérea artificial
- Sistema cardiovascular
- Disfunção diafragmática associada à VM
- Pneumonia associada à VM
- Lesão pulmonar associada à VM
Descontinuação da VM
- VM prolongada x risco de reintubação
- Critérios: controle da doença de base; P/F > 150-200, PEEP 5-8, FiO2 <= 0.4-0.5, pH >= 7.25; estabilidade hemodinâmica, ausência de DVA (relativo), isquemia miocárdica, hipotensão; capacidade de iniciar trabalho respiratório.
- Equipe multidisciplinar.
Teste de respiração espontânea
- Critérios objetivos de tolerância: troca gasosa – satO2 >= 85%, pO2 50-60, pH >= 7.32, aumento pCO2 <= 10; estabilidade hemodinâmica – FC < 120-140bpm, sem aumento < 20%, PAS < 180-200 mmHg ou > 90 mmHg; padrão ventilatório estável – FR < 35 ipm, aumento FR > 50%.
- Critérios subjetivos de tolerância: rebaixamento do nível de consciência; piora ou inicio de desconforto (musculatura acessória, respiração paradoxal); sudorese.
Traqueostomia
- Reduz tempo de VM e de UTI
- 14-21 dias
- Estenose subglótica
Resumo
- Avaliação frequente da possibilidade de descontinuação
- Prova de 30 minutos (tubo-T ou PSV)
- Boa oxigenação + conforto = extubar
- Alto risco de falência – VNI imediata
- Desmame prolongado/difícil: tubo-T ou PSV 1x/dia, pesar traqueostomia, correção de causas (nível de consciência, sepse/SIRS, secreção respiratória, congestão pulmonar, VIDD/neuropatia).

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