Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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A. SISTEMA REPRODUTOR FEMININO E CICLO MENSTRUAL

  • Vagina
  • Útero – endométrio e miométrio
  • Tubas uterinas (trompas de Falópio)
  • Ovários

Fecundação

  • Folículo de Graaf – FSH
  • Óvulo – LH
  • Corpo lúteo
  • Fímbrias
  • Segmentação
  • Mórula
  • Blástula
  • Gástrula – implanta no endométrio

Ciclo menstrual

  • Menstruação – dia 1-7
  • Renovação endometrial para preparação para fecundação – dia 8-11
  • Período fértil (3 dias antes e 1 dia depois) – engloba data da ovulação – 14º dia
  • Redução da produção hormonal por retração do corpo lúteo (corpo albicans) – dia 18-25
  • Descamação do endométrio e fluxo menstrual – dia 26-28

Controle neuro-hormonal do sistema reprodutor feminino

  • FSH – estrógenos
  • LH – progesterona
  • +++++++++++++++++++++++++++++++++++

Gametogênese Feminina

OVÁRIO

SUPERFÍCIE: ep. cúbico ou pavimentoso= EPITÉLIO GERMINATIVO

ABAIXO DO EPITÉLIO: tecido conj. denso = TÚNICA ALBUGÍNEA

Ciclo Ovariano

• Fase folicular

• Fase ovulatória

• Fase Lútea

Córtex

SUPERFÍCIE: ep. cúbico ou cilíndrico simples = EPITÉLIO GERMINATIVO

ABAIXO DO EPITÉLIO: tecido conj. denso = TÚNICA ALBUGÍNEA

§ 600.000 ôvogônias – 2 mês gravidez

§ 7 milhões – 5 mês gravidez

§ 1 milhão ao nascimento

§ 300.000 ovócitos na puberdade

§ 8000 ovócitos 45- 50 anos

§ 450 ovócitos serão liberados

Folículo ovariano: Unidade Funcional dos Ovários

Ovocito + células foliculares ou da granulosa

PUBERDADE: FSH: CRESCIMENTO FOLICULAR

OVOGÊNESE Do folículo primordial até folículo maduro = 90 dias

ATRESIA FOLICULAR

“EM QUALQUER FASE DE DESENVOLVIMENTO”

Ausência da corona radiata

Ausência de mitose ou morte da granulosa

Ovócito solto

CORPO LÚTEO

Glândula endócrina temporária formada pelas:

Células da granulosa (progesterona)

Células da teca interna (estrógenos)

Dura 10 – 12 dias se não ocorrer gravidez ou 4-5 meses se houver fertilização:

Gonadotropina coriônica HCG sinaliza para a produção de progesterona que mantém o embrião e RELAXINA.

Em ambos os casos há a formação do CORPO ALBICANS

Invasão de fibroblastos no corpo lúteo formando uma cicatriz de tecido conjuntivo denso (grande quantidade de colágeno = área esbranquiçada).

Ciclo Ovariano

Os ciclos endometriais e ovarianos atuam em conjunto.

O ciclo ovariano inicia-se na vida intrauterina, com a migração das células germinativas do saco vitelínico para os ovários (cerca da 15ª semana de gestação). Ao atingirem os ovários, as células germinativas diferenciam-se em ovogônias. Essas células sofrem mitose e passam por um processo de crescimento e diferenciação para originar os ovócitos primários, antes do nascimento.

Quando o ovócito primário se forma, este é recoberto por uma camada simples de células epiteliais achatadas provenientes do tecido conjuntivo circundante, dando lugar ao folículo primordial.

Durante o período pré-natal, os ovócitos primários iniciam a meiose interrompida no diplóteno da prófase I. Tal processo é apenas retomado na puberdade pelo recrutamento folicular. O estado de latência é mantido pelas células foliculares por secreção do fator inibidor da maturação do oócito (OMI).

Durante o período sexual maduro (da menarca à menopausa), o ovário está sujeito às seguintes fases: folicular, ovulatória e lútea.

Durante todo o processo de amadurecimento folicular, folículos primordiais são recrutados e devem adquirir receptores para FSH, para estrógenos e para andrógenos; ao mesmo tempo, células foliculares devem adquirir junções comunicantes que as comuniquem com o ovócito.

Os folículos recrutados podem se tornar atrésicos em qualquer fase de seu desenvolvimento.

O ciclo endometrial sofre influência direta do GnRH hipotalâmico, o qual atua na hipófise anterior, estimulando-a a secretar FSH e LH. O FSH, por sua vez, estimula o crescimento folicular e a produção de estrogênio pela teca interna. O LH, é o hormônio “disparador” da ovulação e estimula as células foliculares e o corpo lúteo a produzirem progesterona.

A cada ciclo, mais de um folículo primordial é recrutado, mas há apenas um dominante (selecionado por um pequeno aumento nos níveis de FSH). A sua maturação leva cerca de 2-3 ciclos. Nesse processo, o ovócito primário cresce e se diferencia, as células foliculares se proliferam, há o desenvolvimento de uma camada glicoprotéica, a zona pelúcida; formam-se as tecas foliculares.

Os folículos primordiais que deixam a fase de repouso chamam-se folículos primários. São recobertos por uma única camada de células foliculares (ou granulosas) cúbicas, que se tornam proliferativas (estímulo da ativina, que também melhora a resposta celular ao FSH). Quando atingem um estado estratificado, formou-se o folículo secundário.

Um folículo secundário é caracterizado pelo surgimento das seguintes estruturas:

Zona pelúcida (separa o ovócito das células foliculares mas se comunica com estas por meio de junções comunicantes. Atua também para impedir o termino indevido da meiose I);

Fluido antral (rico em hialuronato, esteróides, fatores de crescimento e gonadotrofinas) e antro;

  1. Tecas interna e externa (separam o folículo do estroma, expressam receptores de LH);

As tecas dividem-se nas porções interna secretora de estrógeno (diretamente ou por metabolização de andogênios), vascularizada e glandular e na externa, de tecido conjuntivo.

Especificamente, a teca interna secreta androstenediona por estímulo do LH, a qual é secretada para as células foliculares. Isto é coestimulado pelas inibinas (em conseqüência à melhor resposta folicular ao FSH pela ativina). Ali, é convertida em testosterona e posteriormente em estradiol pela aromatase, por estímulo do FSH. Além disso, os vasos presentes na teca interna auxiliam na nutrição do folículo.

O folículo secundário que ainda não acumulou fluidos no antro é conhecido como pré-antral e com posterior acúmulo, chama-se, antral.

Progressivamente, o ovócito adquire uma posição excêntrica (fica circundado por células foliculares do cumulus ooforus) e entre as células foliculares forma-se um espaço repleto de fluido, chamado antro. Assim, o folículo passa a ser chamado de folículo secundário. A(s) camada(s) de células foliculares aderida à zona pelúcida é chamada de corona radiata. A falta de junções comunicantes adequadas entre essas duas estruturas pode representar uma dificuldade do ovócito

Quando forma-se o folículo maduro (Graaf), nota-se na superfície do ovário um estigma. Esse estigma é a projeção do folículo a ser ovocitado. Esse processo é intrínseco ao pico de LH (devido às altas concentrações de estrogênio), o qual também atua para terminar o processo de meiose I no ovócito primário. Desse modo, a expulsão do ovócito secundário é resultado da pressão intrafolicular, da contração do músculo liso da teca externa por estímulo de prostaglandinas e da digestão enzimática folicular.

Imediatamente antes da ovulação (fase ovulatória), o ovócito primário aumenta de tamanho e completa a meiose I, formando o primeiro corpúsculo polar (não funcional e quase sem citoplasma, retido no espaço perivitelínico) e o ovócito secundário. Este permanece estagnado na metáfase da meiose II até que seja fecundado.

Após ser expelido, o ovócito mantém sua zona pelúcida e algumas células foliculares, as quais formam a corona radiata.

O local de onde o ovócito saiu permanece com células foliculares e tecais (interna e externa), as quais sofrem colapso, são invadidas por vasos e originam o corpo hemorrágico, precursor do corpo lúteo. Essa estrutura sofre estímulo do LH e é secretora de progesterona e estrogênio em pequena quantidade. Assim, estimulam a preparação endometrial para receber o ovócito. Caso não haja a fertilização do ovócito, o corpo lúteo regride (lúteolise), dando lugar ao corpo albicans (10 a 12 dias da ovulação). De forma oposta, se persiste, é mantido pela hCG do trofoblasto.

Concomitantemente, o endométrio percorre as fases do ciclo menstrual, compreendidas em: menstrual, proliferativa, lútea/secretora e fase isquêmica (pode estar ausente, se houver fecundação).

A fase menstrual inicia-se com o primeiro dia de descamação endometrial e marca o início do ciclo. Durante esse período, o endométrio funcional descama e é expelido junto com sangue das artérias espiraladas. Dura cerca de 5 dias. As glândulas são retas, curtas e estreitas.

A fase proliferativa (folicular e estrogênica) dura cerca de 9 dias e coincide com o desenvolvimento dos folículos e ação estrogênica. O endométrio funcional aumenta de tamanho (torna-se mitoticamente ativo), em torno de duas a três vezes, em espessura. As glândulas aumentam em número e comprimento e as artérias espiraladas se alongam. O epitélio endometrial torna-se pseudoestratificado. Há estímulo direto dos hormônios estrógenos dependentes de FSH pelas células foliculares do folículo em maturação. No período ovulatório essas glândulas tornam-se ricas em glicogênio.

Durante a fase lútea/secretora prevalece a secreção e ação da progesterona. Sua duração é de aproximadamente 13 dias e coincide com a formação e atuação do corpo lúteo. Essa estrutura secretora de progesterona estimula as glândulas do endométrio a secretarem substâncias ricas glicogênio no interior do útero. Essas glândulas tornam-se amplas, tortuosas e saculares, com concomitante espessamento endometrial (em vista da progesterona, estrógeno e da secreção rica em glicogênio) e as artérias espiraladas crescem e tornam-se tortuosas.

Se o ovócito foi fecundado, a instalação do blastocisto inicia-se cerca do sexto dia fase lútea.

Na ausência de fecundação, ocorre a regressão do corpo lúteo com subseqüente queda hormonal. Em especial, a privação de progesterona é a principal responsável pela descamação do endométrio. Ou seja, durante a fase isquêmica, ocorre a contração das artérias espiraladas, reduzindo o influxo hormonal para o endométrio e a parada da secreção glandular. Com isso, tem-se um estado de isquemia e estase venosa, com conseqüente necrose dos tecidos superficiais. Portanto, o tecido descama e os vasos sanguíneos envolvidos rompem-se, acarretando a expulsão da menstruação. Além disso, a queda de progesterona permite a maior expressão de prostaglandinas F2alfa, desencadeadora de contrações no miométrio. A progesterona é antimitótica endometrial.

As contrações miometriais auxiliam no controle da perda sanguínea ao comprimir a vasculatura, e ao mesmo tempo auxiliam a propulsão do fluxo menstrual.

OBSERVAÇÕES:

  • O endométrio é suprido pelas artérias arqueadas, a qual possui um segmento reto na porção basal e outro enovelado, no funcional.

Gametogênese Masculina

TESTÍCULO

• Produção, nutrição e armazenamento temporário dos gametas masculinos.

• Produção dos hormônios sexuais masculinos.

• ESPERMATOGÊNESE + HORMÔNIOS

• TÚNICA ALBUGÍNEA: TECIDO CONJUNTIVO DENSO

• TESTÍCULO: ESPERMATOGÊNESE – SECREÇÃO EXÓCRINA

• HORMÔNIOS – SECREÇÃO ENDÓGENA

ESPERMATOGÔNIAS:

• Núcleo redondo com cromatina condensada.

• Esta célula se encontra mais na periferia no epitélio germinativo.

• É a menor célula.

Espermiogênese

1. O complexo de Golgi produz o acrossomo,

2. Os centríolos diferenciam-se e formam um flagelo;

3. As mitocôndrias deslocam-se para o flagelo;

4. O núcleo achata-se e toma a forma de amêndoa.

Acrossomo assemelha-se a um lisossomo – corona radiata e zona pelúcida

Síndrome dos cílios imóveis: falta da proteína dineína

Células de Sertoli

• SUPORTE, PROTEÇÃO E NUTRIÇÃO.

• FAGOCITOSE CORPOS RESIDUAIS

• SECREÇÃO FLUIDO RICO EM FRUTOSE – meio para transporte dos spz

SECREÇÃO DA PROTEÍNA DE LIGAÇÃO A ANDRÓGENO (ABP – androgen binding protein)

• PRODUÇÃO DO HORMÔNIO INIBINA (BLOQUEIA A FSH) E ATIVINA (AUMENTA A FSH)

• BARREIRA HEMATOTESTICULAR

• Núcleo grande com cromatina frouxa e nucléolo evidente.

NA PUBERDADE A HIPÓFISE LIBERA H LUTEINIZANTE (LH) ATIVA AS CÉLULAS DE LEYDIG – TESTOSTERONA

Núcleo arredondado, nucléolo evidente, citoplasma acidófilo + vacúolos lipídicos.

FATORES QUE AFETAM A ESPERMATOGÊNESE

HORMÔNIOS: FSH e LH

TEMPERATURA: varicocele, criptorquidia.

DESNUTRIÇÃO

ALCOOLISMO

RX

DUCTOS GENITAIS INTRATESTICULARES:

• Túbulos retos

• Rede testicular

• Ductos eferentes

DUCTOS GENITAIS EXTRATESTICULARES:

• ducto epididimário

• ducto deferente

• uretra

EPIDÍDIMO

1) Epit. pseudo-estratificado cilíndrico com estereocílios (longos e ramificados microvilos). = absorção e digestão de corpos residuais

2) Céls. musculares lisas.

3) Tec. conj. Frouxo.

DUCTO DEFERENTE: TRANSPORTE

MUCOSA: ep. cilíndrico pseudoestratificado com estereocílios + lâmina própria

MUSCULAR: 3 camadas de músculo liso – CONTRAÇÃO

Interna e externa longitudinais

Media ciircular

ADVENTÍCIA: tecido conjuntivo frouxo

PRÓSTATA

• 30 a 50 glandulas tubuloalveolares

• Epitélio pseudo-estratificado cilindrico ou epitélio cubóide

As funções reprodutoras masculinas incluem a espermatogênese, desempenho do ato sexual e regulação sexual por hormônios.

Durante o período embrionário (quinto mês de IU), células germinativas primordiais migram para os testículos e tornam-se as espermatogônias (localizadas próximas a LB nos túbulos seminíferos). Na puberdade, essas células sofrem mitose (podem formar células tronco de reserva/tipo A, ou os espermatócitos/tipo B), migram pelas células de Sertoli em direção ao lúmen dos túbulos seminíferos e diferenciam-se (alargam-se e aumentam de volume) em espermatócitos primários. Estes sofrem meiose e originam espermatócitos secundários (dois para cada espermatócito primário). Logo, essas células realizam uma segunda mitose para originar, cada uma, duas espermátides (células haploides). As espermátides sofrem modificações ate alcançarem a forma de espermatozóides. Todo esse processo leva cerca de 60-70 dias.

Tal transformação chama-se espermiogênese. Nesse processo, as espermátides perdem suas características de células epitelióides.

O espermatozóide maduro possui forma alongada e é composto pela cabeça e pela cauda. Na cabeça encontra-se o núcleo condensado da célula, com apenas a MP e o citoplasma, e na extremidade desta está o acrossomo. Essa porção deriva do Golgi e é rica em enzimas (em especial a hialuronidase) que permitem a entrada do sptz. no ovulo e sua fertilização.

Sua cauda chama-se flagelo e é dividido em três partes: o esqueleto central formado por microtúbulos (axonema), recoberto por uma membrana e seu pescoço aonde localizam-se as mitocôndrias geradoras de ATP. A cauda é quem permite a movimentação do espermatozóide.

Os corpos residuais resultantes do desprendimento do espermatozóide são fagocitados pelas células de Sertoli. Essas células também produzem um liquido que auxilia o transporte de esperma para o epidídimo, secretam ABP (controlada pelo FSH, cuja função é a de concentrar testosterona), podem converter testosterona em estradiol (necessário para a espermiogênese), secretam inibina (inibe a liberação de FSH) e adicionalmente fornecem uma barreira hematotesticular a fim de evitar reações auto-imunes contra os espermatozóides. Entretanto, não sofrem replicação durante a vida adulta. São extremamente resistentes a infecções.

O parênquima, portanto, é aonde localizam-se os túbulos seminíferos, os quais são separados por um interstício. Neste, estão as células de Leydig secretoras de testosterona. O LH, por sua vez estimula essas células. O FSH estimula as células de Sertoli, essencial para a espermiogênese. Nesse contexto, essas células (Sertoli) podem formar estrogênios a partir da testosterona, necessários para a maturação do espermatozóide. O hormônio de crescimento atua na divisão das espermatogônias.

Por dia podem ser formados até 120 milhões de espermatozóides.

Após a ejaculação (no interior da vagina), os espermatozóides tornam-se ativados e capacitados, adquirindo motilidade e capacidade de fertilizar o ovócito. Esse processo pode levar até 10 horas. Na vagina, os espermatozóides perdem o envoltório de colesterol ao redor do acrossomo, deixando essa porção exposta para atuar. O maior influxo de cálcio, pois, permite a liberação de enzimas do acrosssomo e estimula a movimentação da cauda.

A hialuronidase despolimeriza o ácido hialurônico que mantém unidas as células foliculares. Em seguida, deve penetrar a zona pelúcida, antes de atravessar o espaço perivitelino e chegar ao citoplasma do ovócito. Na zona pelúcida há a ligação entre receptores do sptz. e do ovócito, permitindo a dissolução do acrossomo para a digestão dessa camada do ovócito. O processo culmina com a fusão das membranas celulares das duas células, ocorrendo a fertilização.

Apenas um espermatozóide pode penetrar o ovócito, devido a mudanças conformacionais nas proteínas de membrana deste (transitória), seguida de um influxo de cálcio que liberam grânulos corticais do ovócito no espaço perivitelínico (permanente).

O meio para sua atividade varia de neutro a básico (adquire mobilidade em pH de 6,0 a 6,5) e maiores temperaturas aumentam sua atividade, mas por outro lado, encurtam sua vida útil.

Os espermatozóides são formados no testículo, nos túbulos seminíferos. Em seguida, alcançam o epidídimo, aonde sofrem maturação (adquirem mobilidade, apesar do epidídimo secretar substancias inibitórias dessa função, que atuam até depois da ejaculação) e são lançados no canal deferente, o qual culmina na ampola antes de entrar na próstata (aonde há os ductos prostáticos). A próstata produz uma substancia alcalina que neutraliza a acidez vaginal e os demais componentes ácidos do sêmen. Essa substancia também é rica em uma enzima coaguladora que transforma o fibrinogênio da vesícula seminal em um coagulo fraco de fibrina com o intuito de manter o sêmen nas proximidades da região cervical. Finalmente, a fibrolisina prostática dissolve esse coagulo, permitindo a movimentação do esperma.

Pequena quantidade de esperma pode ser armazenada no epidídimo, sendo a maior parte estocada no deferente (no mínimo por um mês, na forma inativa). Na terminação prostática da ampola desembocam as vesículas seminais. Essas vesículas possuem a função de secretar material mucoso contendo frutose (nutrição), acido cítrico, fibrinogênio e prostaglandinas (tornam o muco cervical mais receptivo ao movimento do espermatozóide e induzem peristaltismo nas tubas uterinas). São as ultimas a atuar. Por fim, chegam ao ducto ejaculatório e são conduzidos ate desaguarem na uretra interna. Na uretra, atuam as glândulas uretrais e bulbouretrais. Assim, o pH do sêmen é de aproximadamente 7,5.

Durante a emissão, o deferente se contrai em conjunto com a próstata.

A fonte mais importante de sinais sexuais masculinos é a glande do pênis, aonde se transmite a maior parte da sensação sexual para o SNC. Esses sinais sexuais tem que passar pelo nervo pudendo, seguido do plexo sacral, ascendendo pela medula antes de alcançar o SNC. Acredita-se que reflexos medulares sacrais e lombares iniciem o sexual.

Algumas áreas adjacentes ao pênis e internas como o ânus, a próstata, a bexiga e o períneo também podem transmitir essa sensação.

A ereção peniana marca o início do ato sexual masculino (e é proporcional ao grau de estimulação). Esta decorre de estímulos parassimpáticos que percorrem a região sacral pelos nervos pélvicos para alcançar o pênis. Suas fibras parassimpáticas liberam NO e ACh. O NO induz a formação de GMPc que relaxa as artérias penianas e as malhas trabeculares das fibras musculares lisas do tecido erétil. Logo, há maior fluxo sanguíneo para o pênis com subsequente liberação de NO pelo endotélio vascular e maior vasodilatação. Nesse momento, o retorno venoso encontra-se reduzido.

O tecido erétil normalmente não contem sangue mas dilata-se durante a ereção.

Impulsos parassimpáticos induzem secreções mucosas pelas glândulas uretrais e bulbouretrais.

Quando o estimulo sexual fica extremamente intenso centros reflexos da medula espinal enviam impulsos simpáticos de T-12 a L-2 via plexos simpáticos hipogástrios e pélvico. Assim, ocorre a emissão precursora da ejaculação.

O processo de emissão inicia-se com a contração do deferente e da ampola levando os espermatozóides para a uretra interna. Em seguida, reforçando esse processo há a contração da próstata e das vesículas seminais.

A uretra repleta de sêmen envia sinais pelo nervo pudendo para a região sacral, provocando a contração dos órgãos genitais internos e dos músculos isquiocavernosos e bulbocavernoso, acarretando a ejaculação. Há ajuda dos músculos pélvicos que também se contraem.

O conjunto emissão e ejaculação chama-se orgasmo masculino. Finalmente, o pênis torna-se novamente flácido, processo chamado de resolução.

O funículo espermático contem as estruturas que entram e saem do testículo e suspende esse órgão no escroto. Inicia-se no anel inguinal interno (lateralmente aos vasos epigástricos inferiores) e emerge no anel inguinal externo. Está composto por veias, artérias e nervos. Seus componentes compreendem: ducto deferente, artéria testicular, artéria do deferente, artéria cremastérica, plexo venoso pampiniforme, ramo genital do nervo genitofemoral e vasos linfáticos.

Do funículo emergem vestígios do processo vaginal e recobrem o testículo, menos na região de junção do epidídimo ao testículo.

A fáscia cremastérica, aonde se liga o músculo cremaster, deriva do músculo obliquo interno (originado do ligamento inguinal) e as espermáticas interna e externa, respectivamente, da transversal e do obliquo externo.

O músculo cremaster é responsável por suspender o testículo no escroto (abaixar e recolher). Sua inervação é feita pelo ramo genital do plexo genitofemoral (L1 e L2), é estriado e recebe inervação somática. O músculo dartos atua em conjunto com o cremaster, adicionalmente contraindo a pele escrotal, é uma musculatura lisa com inervação autônoma.

O escroto é formado por duas camadas de pele pigmentada e pelo músculo dartos e sua fáscia. Divide-se pelo septo do escroto nos compartimentos direito e esquerdo (demarcado externamente pela rafe escrotal). O dartos é continuo com a fáscia de Scarpa (abdome) e de Colles (períneo).

A irrigação arterial do escroto é feita por ramos posteriores da arteria perineal, ramos anteriores da artéria pudenda externa (ramo da femoral) e ramos da arteria do cremaster (ramo da epigástrica inferior).

Os nervos do escroto incluem ramos lombares e sacrais.

Os testículos estão suspensos no escroto pelo funículo e o testículo do lado esquerdo geralmente apresenta-se em uma altura mais baixa. Entre as camadas viscerais e parietais da túnica vaginal há uma pequena quantidade de liquido, que permite o movimento do testículo no escroto. Em seguida, esse órgão é recoberto pela túnica albugínea, de onde saem septos fibrosos que formam os túbulos seminíferos. Esses túbulos contorcidos se unem formando túbulos retos que culminam na rede do testículo e alcançam o epidídimo pelos ductos eferentes do testículo.

Histologicamente, os túbulos seminíferos possuem um parênquima com células germinativas, produtor de espermatozóides envolvido por um LB. Junto das células germinativas estão as células de Sertoli. O parênquima é seguido por um interstício produtor de testosterona, via células de Leydig. Alem disso, no interstício há fibroblastos, macrófagos , mastócitos e células mióides.

O interstício atua na nutrição e transporte hormonal do parênquima.

As artérias testiculares se originam da porção anterolateral da aorta abdominal, abaixo das artérias renais. Essas artérias se anastomosam com as do ducto deferente.

A irrigação venosa dos testículos e do epidídimo é feita pelo plexo pampiniforme. Essas veias convergem formando a veia testicular direita (VCI) e a veia testicular esquerda (veia renal esquerda).

A drenagem linfática testicular é feita por linfonodos lombares e pré-aórticos. Seu plexo nervoso possui nervos autônomos que atuam sobre a artéria testicular por meio de fibras parassimpáticas vagais e aferentes viscerais e fibras simpáticas do segmento T-10.

O epidídimo é formado por alças e se comunica diretamente com o testículo pela cabeça. Da sua cauda parte o ducto deferente. O ducto deferente possui uma camada muscular lisa que ajuda na ejeção do conteúdo do epidídimo.

Os ductos genitais possuem estereocílios que auxiliam na movimentação do esperma.

Na próstata, podemos encontrar calcificações que aumentam progressivamente com a idade, chamados de corpos amiláceos.

OBSERVAÇÕES:

• As células de Sertoli possuem as funções de: secretar inibina (inibe o FSH), formar a barreira hematotesticular (contra Ação auto-imune e infecções), nutrir as células germinativas, sustentar as células nos túbulos seminíferos, produzir o hormônio anti-mulleriano (AMH), metaboliza testosterona em estrogênio e DTH (essencial para a espermiogênese).

• LH estimula as células de Leydig a produzir testosterona que nas células de Sertoli são transformadas em estrogênio e DTH. A enzima envolvida nesse processo é a 5-alfa redutase e as células de Sertoli o fazem por estímulo de FSH, o qual pode ser suprimido pela inibina.

Aspectos Morfológicos da Fecundação

SUCESSO GESTACIONAL

GAMETAS VIÁVEIS

(Morfologia e Constituição Molecular)

ÓRGÃOS E DUCTOS REPRODUTORES ÍNTEGROS

(Anatomia e Fisiologia)

AMBIENTE UTERINO

(Anatomia e Fisiologia)

AMBIENTES HORMONALMENTE PROPÍCIOS

QUESTÃO: Considerando que o espermatozoide precisa ser uma célula móvel enquanto o oócito tem ajuda das células ciliadas da tuba uterina, que organelas você imagina encontrar nos espermatozoides?

v Os gametas são células especializadas haploides. Porém a MEIOSE masculina difere da feminina em velocidade, tempo e local.

LADO MASCULINO:

• A meiose acontece dentro da gônada (testículo)

• A meiose inicia na puberdade e vai até a senescência

• A gametogênese é temperatura dependente

A partir de 1 espermatogônia serão produzidos 4 espermatozoides viáveis

IMPORTANTE:

– Espermatogênese – 60 a 70 dias

Como cada túbulo seminífero está num estágio de produção de espermatozoides, diariamente há novos espermatozoides.

– A partir da puberdade são produzidas novas células todos os dias

– O DNA do espermatozoide é sempre recém-sintetizado

– QUAL A MORFOLOGIA NORMAL DO ESPERMATOZÓIDE?

Ainda no testículo, após o término da meiose a ESPERMÁTIDE passa pela espermiogênese dando origem ao ESPERMATOZOIDE.

• Perda de citoplasma residual

• Formação do acrossomo

• Formação do flagelo

• Concentração de mitocôndrias na peça intermediária

• Empacotamento da cromatina nuclear

• É NORMAL ATÉ 10% DE ESPERMATOZÓIDES COM ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS

• AO TÉRMINO DA ESPERMIOGÊNESE O ESPERMATOZÓIDE ESTÁ APTO A FECUNDAR?

• NÃO!!!!!!

• Os espermatozoides ficarão armazenados no epidídimo até o momento da ejaculação e lá sofreram a MATURAÇÃO EPIDIDIMÁRIA (alteração das proteínas de superfície celular). E ainda NÃO estarão aptos a fecundar!

MATURAÇÃO FUNCIONAL E ANTIGÊNICA

• Alterações de glicoproteínas e lipídios na Superfície dos Espermatozóides (Aquisição de sítios de reconhecimento ao oócito)

• Potencialização da Motilidade

• Estabilização da cromatina

• OS ESPERMATOZÓIDES AINDA PRECISAM FICAR ARMAZENADOS POR 7 HORAS DENTRO DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO (TUBAS)

CAPACITAÇÃO E HIPERATIVAÇÀO

As diversas enzimas e carboidratos liberados no fluido tubário atuam modificando a superfície dos espermatozoides quanto:

• Ao pH (ácido – alcalino)

• À hiperpolarização da membrana (influxo de cálcio e outros íons)

• À alteração na razão colesterol/fosfolipídeos (fluidez da membrana)

• À retirada de certos carboidratos e proteínas do plasma seminal da membrana

• Fatores secretados pela tuba promovem alterações metabólicas dos espermatozódes

• – Aproximação do oócito (região com pouco zinco) ativa a abertura de canais iônicos na cauda do espermatozóide – perda de hidrogênio resulta no aumento do pH interno e resulta na movimentação extra (hiperativação).

• Capacitação: também faz remoção de carboidratos competidores e protetores da superfície do espermatozoide. Estes carboidratos são açucares presentes na membrana do espermatozoide e que recobrem sítios de ligação ao ovócito, numa forma de proteger esse sitio durante a sua longa jornada. Após a capacitação, a maior parte destas adesinas é removida para que os receptores dos dois gametas se encontrem.

LADO FEMININO:

• A meiose acontece dentro da gônada (ovário) e termina na tuba uterina ou luz do útero

• A meiose inicia na vida pré-natal, é retomada na puberdade no momento da ovulação e só termina se houver fecundação

• A gametogênese é independe da temperatura

A partir de 1 ovogônia será produzido 1 óvulo viável + 2 corpos polares

IMPORTANTE:

– Prazo de validade do período fértil (da puberdade até

Fases da meiose em cada um dos tipos de folículos.

– O folículo primordial contem as ovogônias, que são as célula diretamente derivadas das CGP. Estas células são diplóides, e seus cromossomos ainda estão em fita simples. Em teoria, ao contrário do que acontece com as espermatogônias, que na puberdade começam a se dividir por mitoses sem parar, o surgimento das ovogônias é restrito à vida pré-natal. Assim, em teoria, a mulher já nascerá com todos os seus possíveis gametas alocados dentro do ovário – não surgirão novos folículos primordiais a partir do 5 mês de gestação.

– Ainda na vida pré-natal, alguns dos folículos primordiais sofrerão as multiplicações dos seus cromossomos, formando o oócito primário, o correspondente do espermatócito primário. O ovócito primário permanece ainda dentro do folículo, que agora se desenvolveu para folículo primário, um pouco mais robusto que o primordial. Não são todos os folículos primordiais que se tornam primários – muitos dos primordiais irão morrer por processo de apoptose, e mesmo muitos dos primários tb irão degenerar.

– No inicio da puberdade, a mulher tem aproximadamente 400 mil folículos primários. Mas muitos ainda vão ficar estagnados pra sempre nesta fase. Na puberdade, com a estimulação ovariana pelos hormônios do eixo hipotálamo-hipófise, os folículos começam a se desenvolver (FSH), formando por exemplo o folículo secundário. Só que, apesar do folículo ser secundário, o ovócito que ele carrega ainda é o oócito primário, com os cromossomos diplóides duplicados.

Quando ele vai deixar de ser oócito primário? Só depois de o folículo ter se desenvolvido muito e ter atingido o estágio de folículo de Graaf. Mesmo assim, só alguns completam essa divisão da meiose, só aquele que recebeu o estímulo para oocitação. Assim, logo antes da oocitação, forma-se o oócito secundário.

– Assim, com a oocitação, ocorre a primeira divisão da meiose, que separa os cromossomos homólogos duplicados entre as células filhas.

– As células filhas formadas não são iguais entre si como na espermatogênese. Assim, metade do conjunto cromossômico vai pra uma célula grande, rica em proteínas, lipídios e organelas, que é efetivamente o oócito secundário. A outra metade cromossômica vai pra uma célula menor, chamada corpúsculo polar, que serve basicamente como depósito para este material descartado.

– Isso ocorre porque o oócito é uma célula que terá que ter energia, suprimentos e maquinaria intracelular pra gerar um novo individuo, por isso todas as capacidades da célula mãe, ao inves de se dividir entre duas células filhas, se concentram em uma só.

– O ovócito oocitado ainda não terminou a divisão meiótica, está parado numa fase intermediária da segunda divisão meiótica, a metáfase. Esse oocito II só se tornará “óvulo” com o estimulo causado pelo reconhecimento do espermatozóide na fecundação. Com esse estimulo, as cromátides do cromossomo se dividem entre duas células filhas também de tamanhos desiguais – o óvulo e o segundo corpúsculo polar.

– EFETIVAMENTE A MULHER NÃO TEM OVULO PURO E ISOLADO, PORQUE OS CROMOSSOMOS DO ESPERMATOZOIDE JÁ FORAM DEPOSITADOS.

Implicação do processo de gametogênese feminina: a ovogonia duplica seus cromossomos ainda na vida pré natal, e que permanecem dessa maneira até o momento da oocitação.

– Estas cromátides irmãs que estão aderidas desde a vida pré natal só irão se separar na fecundação.

– Devido à esta união ser muito antiga, pode ocorrer um defeito que faz com que essas cromátides não se separem, assim uma célula filha receberia por exemplo o cromossomo X duplo e outra que não receberia nenhum, originando gametas anormais do ponto de vista do cromossomo sexual.

Além disso, diferente do DNA do espermatozóide, que é sempre recém sintetizado, o DNA do gameta feminino tem a mesma idade da mulher. Ficou exposto por exemplo }á oxidação e quebra por espécies reativas de oxigenio – pode quebrar os telomeros, desalinhar os cromossomos e dificultar a acesso correto às fibras do fuso.

ÓRGÃOS REPRODUTORES

Alvos da ação de estrógeno e progesterona desde a fase fetal

v 10 dia do ciclo: dia em que se inicia o sangramento menstrual;

v FASE MENSTRUAL: 3-4 dias

v FASE PROLIFERATIVA ou ESTROGÊNICA: ~10 dias

v FASE SECRETÓRIA ou PROGESTACIONAL ou LUTEAL: ~14 DIAS

FECUNDAÇÃO

FUSÃO DO MATERIAL GENÉTICO DOS GAMETAS

FUSÃO DOS PRÓ-NÚCLEOS

Mamíferos: 12 h

v Fusão dos Envoltórios Nucleares

v Fusão do Material Genético

v Preparação para a Clivagem

DESCREVA OS DOIS BLOQUEIO A POLISPERMIA:

-RÁPIDO E PROVISÓRIO

– LENTO E DEFINITIVO

Primeira Semana do Desenvolvimento: da oocitação à implantação

O período gestacional divide-se em pré-embrionário (da fecundação à segunda semana de gestação), embrionário (da segunda à oitava semana de gestação) e fetal (a partir da nona semana de gestação ao nascimento).

No período pré-embrionário a maior parte dos defeitos no concepto e agressões teratogênicas culminam em morte do zigoto, com conseqüente aborto, ou são compensadas por propriedades reguladoras do pré-embrião. Desse modo, pouco defeitos congênitos são provenientes desse momento gestacional e a maior parte das mulheres desconhece a existência da gravidez. Comumente a atribuem a um atraso menstrual.

A etapa mais sujeita a defeitos congênitos é a compreendida no período embrionário, tendo em vista que é nesse momento que ocorre a organogênese, apesar de os órgãos formados ainda serem imaturos (não funcionais).

Os defeitos congênitos são aqueles presentes antes mesmo do nascimento e podem ter causas genéticas (aberrações cromossômicas numéricas ou estruturais ou genes mutantes), ambientais ou mistas. Podem ser macro ou microscópicos, funcionais, estruturais ou neurocomportamentais.

Esses defeitos classificam-se em maior ou menor grau, sendo o primeiro mais a associado à morte da criança. Múltiplos defeitos menores freqüentemente sugerem a existência de um defeito congênito maior.

Tem-se observado maior incidência de anomalias congênitas quando se realiza técnicas de reprodução assistida, principalmente nos que dizem respeito ao imprinting genômico. Isso talvez ocorra em decorrência de anomalias intrínsecas aos gametas colhidos, ao método de retirada dos gametas (em especial, do ovócito), aos medicamentos para preparar e manter a gravidez, ao trauma decorrente da ICSI, ao meio de cultura e à manipulação do embrião. Nesses casos, recomenda-se o uso prévio e prolongado de acido fólico para atenuar os possíveis riscos.

PRIMEIRA SEMANA

Fecundação

O local mais comum em que a fecundação ocorre é a ampola da tuba uterina. Se o ovócito II não é fecundado, ele caminha lentamente para o útero, aonde se degenera e é reabsorvido. A fecundação é estimulada por sinais quimiotáxicos secretados pelo ovócito e pelas células foliculares para guiar os espermatozoides.

O processo de fecundação leva em torno de 24 horas e depende da interação e reconhecimento do ovócito e do espermatozoide. Esse processo é auxiliado pela contração da tuba uterina.

A fecundação possui 6 fases, as quais envolvem:

Passagem do espermatozoide pela corona radiata: ocorre pela descarga de hialuronidase presente no acrossomo para degradar as células foliculares. Enzimas presentes na tuba parecem auxiliar o processo e o movimento flagelar é essencial para essa etapa.

Penetração da zona pelúcida: também ocorre por ação das enzimas do acrossomo. No caso são as esterases, acrosina e neuraminidase. Quando o espermatozoide chega à zona pelúcida, ocorre uma reação zonal em que este se liga ao ZP2. Essa interação é necessária para a reação acrossômica e a reação zonal (que altera a zona pelúcida para evitar a entrada de outros espermatozoides).

A reação zonal, portanto, ocorre quando há a fusão das membranas plasmáticas do ovócito e do espermatozoide. Primeiramente, o bloqueio à polispermia ocorre por despolarização da membrana do ovócito. Em seguida, grânulos corticais do citoplasma são liberados no espaço perivitelino e alteram as proteínas da zona pelúcida (por influxo de cálcio). Tal bloqueio também impede a negação do zigoto por 5 dias.

Fusão das membranas plasmáticas: após a fusão das membranas plasmáticas ocorre a interiorização do espermatozoide. No entanto, este deixa sua MP para trás.

Termino da meiose II (interrompida na metáfase) e formação do pró-núcleo feminino: nesse momento origina-se o segundo corpúsculo polar.

• Formação do pró-núcleo masculino

Fusão dos cromossomos maternos e paternos para a formação do zigoto

Após a fecundação, as células trofoblásticas secretam um imunossupressor (fator inicial de gravidez), que pode ser detectado em testes de gravidez em até 10 dias após a fecundação.

Clivagem do zigoto

A clivagem do zigoto consiste em diversas divisões mitóticas com células cada vez menores e leva cerca de 4 dias desde a fecundação. Origina um agrupamento de células durante o percurso do zigoto pela tuba uterina.

Durante o processo de clivagem do zigoto, preserva-se a zona pelúcida. Isso ocorre para evitar gravidez tubária.

Quando se agrupam de 8 a 9 células, o blastômero torna-se compacto, aderindo firmemente uns aos outros (compactação). Esse processo aumenta a interação célula-célula e é um pré-requisito para a segregação das células que irão formar o blastocisto. Há, pois, a formação de junções intercelulares. As células do zigoto dividem-se em maciço celular interno e maciço celular externo. O primeiro possui junções comunicantes e o segundo, junções de adesão.

A partir de 12-32 blastômeros, tem-se a mórula. Esse agrupamento alcança o útero cerca de 3-4 dias após a fecundação e permanece ali por cerca de 2 dias até nidar-se ao endométrio. Nesse momento, ocorre a eclosão, com degradação da zona pelúcida (por ação de protases).

Formação do blastocisto, nidação e implantação

Após a sua chegada ao útero, a mórula é preenchida por fluidos uterinos (como resultado da degeneração da zona pelúcida), formando a cavidade blastocística. Essa cavidade separa o blastocisto em duas partes: o maciço externo, que vai originar o trofoblasto (forma a parte embrionária da placenta) e o maciço interno, que origina o embrioblasto (primórdio do embrião). Do embrioblasto partem a meso, endo e ectoderme.

O trofoblasto passa a formar a parede do blastocisto e o embrioblasto passa a se projetar para o útero. Essas células possuem em suas membranas bombas de sódio que enviam íons para a cavidade blastocística, expandindo-a de acordo com o gradiente.

No 6 diaº após a fecundação (20º dia do ciclo), ocorre a nidação, normalmente adjacente ao polo embrionário. A implantação do blastocisto ao endométrio é mediada por moléculas de adesão, como integrinas do trofoblasto que se associam ao colágeno, à fibronectina e à laminina do endométrio.

Ao tocar o endométrio, o trofoblasto passa a proliferar-se no sentido do polo embrionário e diferencia-se em citotrofoblasto (interno) e sinciciotrofoblasto (externo). No sinciciotrofoblasto, não se observa limite entre as células. As células ali contidas são gigantes e possuem um alto poder de invasão (por serem secretoras de colagenases e de beta-hCG, alem de possuírem genes tumorais). O citotrofoblasto fornece células para o sinciciotrofoblasto.

Esse contato do trofoblasto com o epitélio uterino também estimula a diferenciação do embrioblasto em epiblasto (dará origem às camadas de meso, endo e ectoderme) e em hipoblasto (regride na 3ª semana).

Nesse momento, o sinciciotrofoblasto não esta firmemente aderido ao endométrio e obtém a sua nutrição a partir de tecidos maternos erodidos.

Segunda Semana do Desenvolvimento: disco germinativo bilaminar

SEGUNDA SEMANA

Término da implantação e desenvolvimento embrionário

As células do sinciciotrofoblasto deslocam e rompem as células endometriais (glândulas e vasos maternos que irão fornecer nutrientes e oxigênio por difusão), as quais sofrem apoptose. O endométrio colabora com suas microvilosidades, com moléculas de adesão, com citocinas e prostaglandinas, com genes homebox, com fatores de crescimento, e com metaloproteinases de matriz. Assim, o endométrio forma suas células deciduais, as quais são ricas em glicogênio e se degeneram no local de contato com o sinciciotrofoblasto, sendo englobadas por ele (enquanto são degeneradas) e fornecem nutrição embrionária.

O hCG entra no sangue materno por meio de lacunas nas cavidades ocas no sinciciotrofoblasto, mantendo a atividade do corpo lúteo.

Formação da cavidade amniótica, disco embrionário e saco vitelino

No 8º dia, o epiblasto e o citotrofoblasto formam a cavidade amniótica. Do epiblasto surgem os amnioblastos que revestem o âmnio: é dizer, apesar de a nidação não ter sido completamente terminada, surge a cavidade amniótica, entre o epiblasto e o citotrofoblasto.

Entre o 9º e o 10º dia, a parede uterina se fecha ao redor do blastocisto (fica contido dentro do endométrio) e o sinciciotrofoblasto se funde aos vasos maternos. A mulher, nesse momento pode relatar um sangramento, o qual por vezes é confundido com a menstruação. Assim, ocorreu a implantação.

Por cerca de 2 dias após a implantação, falhas no endométrio formam um tampão, o qual se degenera por volta do 12º dia, com a restauração da integridade celular. Após esse processo, ocorre a reação decidual. Alem dos nutrientes fornecidos, essa reação permite proteção imunológica ao concepto.

O corpo do embrião nesse momento ainda é uma placa bilaminar, chamada disco embrionário, contendo o hipo e o epiblasto. O primeiro, é composto por células adjacentes à cavidade exocelômica e o segundo, relaciona-se com a cavidade amniótica. Ademais, o hipoblasto, forma o teto da cavidade exocelômica, em contato com a membrana exocelômica. O conjunto membrana exocelômica e hipoblasto formam o saco vitelino primitivo, originado da membrana de Heuser proveniente da cavidade blastocística. Então, o disco embrionário passa a situar-se entre a cavidade amniótica e o saco vitelino primitivo.

Entre a membrana de Hausser e o citotrofoblasto forma-se o magma reticular, que é uma secreção acelular e que dará origem à cavidade coriônica.

Alguns autores relatam que a membrana de Heuser será substituída pelo endoderma extraembrionário. Desse modo, alguns autores sugerem que do endoderma do saco vitelino primitivo, origina-se o mesoderma extraembrionário, que circundam o âmnio e o saco vitelino. Desse modo, o mesoderma extraembrionário seria oriundo de mudanças no trofoblasto e estaria em contato com a membrana de Heuser e com o citotrofoblasto. Outros autores afirmam que esse tecido é proveniente do epiblasto. Isso ocorre em torno do 12o dia após a fecundação.

A partir do mesoderma extraembrionário, surge o celoma extraembrionário (ou cavidade coriônica), por volta do 12º dia após a fecundação. Essa estrutura se forma por meio de espaços no mesoderma extraembrionário que coalescem. O celoma extraembrionário envolve o âmnio e o saco vitelino, com exceção do local de adesão do córion pelo pedículo do embrião (origina o cordão umbilical).

No sinciciotrofoblasto surgem as lacunas, preenchidas com sangue materno proveniente de capilares endometriais e restos de glândulas uterinas erodidas. Assim, os fluidos nutrem o embrião por difusão. A comunicação dos capilares endometriais rompidos com essa lacunas estabelece uma circulação uteroplacentária primitiva. Essa circulação é pouco rica em oxigênio, o que é uma vantagem nesse momento, devido à menor oferta de radicais livres para o concepto.

Desenvolvimento do saco coriônico

O término da segunda semana é marcado pelo surgimento das vilosidades coriônicas.

Cerca de 13 dias após a fecundação, as estruturas do trofoblasto fazem projeções para a decídua, formando vilosidades coriônicas primárias. Essas projeções são invadidas pelo mesoderma extraembrionário, formando as vilosidades coriônicas secundárias. Apenas ao final da terceira semana origina-se a forma terciária dessa estrutura com vasos sanguíneos e células do embrião, sendo o componente fetal da placenta.

O celoma extraembrionário divide o mesoderma extraembrionário em duas porções:

Mesoderma somático extraembrionário: reveste o trofoblasto e cobre o âmnio.

Mesoderma esplânquico extraembrionário: envolve o saco vitelino.

Ocorre também o desaparecimento do saco vitelino primitivo e surge o saco vitelino secundário. Nesse momento, o saco vitelino sofre um estrangulamento pela membrana de Heuser (ao ser substituída pelo endoderma extramebrionário) e diminui de tamanho. Concomitantemente, a cavidade coriônica aumenta de tamanho.

O sinciciotrofoblasto já produz beta-hCG.

Ao final do 14º dia, o concepto ainda possui a forma de um disco bilaminar mas apresenta a placa precordal.

Terceira Semana do Desenvolvimento: disco germinativo trilaminar

TERCEIRA SEMANA

Essa semana marca o início do período embrionário em que a proliferação, migração e diferenciação celulares são intensos. É nesse momento que também se formam os tecidos da ecto, meso e endoderme.

No disco bilaminar surge a linha primitiva, a notocorda e a placa neural.

Linha primitiva: surge na região dorsal como resultado da proliferação do epiblasto. Essas células aumentam de tamanho e adquirem uma posição medial e progridem em direção ao centro do disco. Na sua região cranial, possui um orifício (originado por apoptose de células da linha primitiva) envolto agrupamento celular (nó primitivo) chamado de fosseta primitiva. No centro dessa linha (sulco primitovo), ocorre uma invaginação de células do epiblasto, entre o epiblasto e o hipoblasto. Este é substituído pelo endoderma intraembrionário e permite o surgimento do mesoderma intraembrionário entre esse endoderma e o epiblasto. Por fim, o epiblasto diferencia-se em ectoderma. Regride no sentido caudal após a formação do meso e endoderma intramebrionários e da notocorda.

Notocorda: proveniente de células epiblásticas que migraram entre o epiblasto e o endoderma intraembrionário, pela fosseta primitiva. Estente-se até a a placa pré-cordal na região cranial. Regride apos a formação da placa neural.

Placa neural: é um espessamento do ectoderma intraembrionário por estímulo de moléculas e fatores de crescimento liberados pelas células da notocorda e do mesoderma intraembrionário. É mais dilatada na região cranial. Sofre invaginação para dar lugar ao tubo neural a partir das pregas neurais que se aproximam nas bordas.

Terceira à Oitava Semana: período embrionário

QUARTA SEMANA

Caracteriza-se pela formação do tubo neural, do SNC e do SNP.

O fechamento do tubo neural inicia-se na porção central e se estende para as craniais e caudais. A primeira sofre fechamento precoce e corresponde ao SNC, enquanto a segunda será a medula espinal. As cavidades do tubo correspondem àquelas encontradas na vida pós-natal.

Concomitantemente, células ecotdérmicas da crista neural penetram o mesoderma do embrião, originando gânglios, nervos e plexos nervosos, melanócitos, células da medula adrenal, meninges, ossos da face, septo interventricular cardíaco, etc.

O mesoderma intraembrionário divide-se em: paraxial/somito, intermediário e lateral.

O disco embrionário trilaminar agora sofre dois sobramentos, o cefalocaudal e o lateral. Isso acarreta incorporação do saco vitelínico ao interior do corpo do embrião, formando o intestino primitivo, que se alonga anteriormente ao tubo neural; envolvimento completo do embrião pela cavidade amniótica, que se fusiona com a cavidade coriônica, formando a membrana âmniocoriônica; o ectoderma, antes dorsal ao corpo do embrião, passa a recobrir todo o corpo e forma epiderme e anexos; o mesoderma intermediário, lateral ao tubo neural e aos somitos assume uma posição anterior ao tubo e posterior ao intestino primitivo; o mesoderma lateral sofre apoptose parcial e dá lugar ao mesoderma parietal e visceral. Isso originará as cavidades peritoneal, pericáridica e pleural.

OBESERVAÇÕES:

Ectoderma intraembrionário origina as seguintes estruturas: SNC, SNP, meninges, epiderme, anexos da pele, melanócitos, células sensoriais olfativas, aduitivas e do globo ocular (retina e cristalino), neurohipófise, células da medula adrenal, septo interventricular cardíaco, esmalte dos dentes, tecidos conjuntivos e musculares e ossos da face.

Mesoderma intraembrionário origina as seguintes estruturas:

Paraxial origina tecidos conjuntivos (incluindo a derme), ossos, músculos e cartilagem de membros, do tronco e do abdome e músculos da cabeça.

Lateral: tecido conjuntivo e muscular de vísceras, da parede abdominal e das membranas serosas.

Intermediário: sistema genitourinário (menos o epitélio da bexiga e da uretra).

Endoderma: epitélio de revestimento e glândulas do sistema digestivo e respiratório, parênquima glandular da tireóide e para tireóide, do fígado, do pâncreas e das tonsilas. Revestimento epitelial interno da bexiga e da uretra, cavidade timpânica e tuba auditiva.

Terceiro Mês ao Nascimento: feto e placenta

A placenta é o local de troca entre os nutrientes maternos e os excretas fetais. Suas funções incluem proteção, nutrição, respiração, excreção e produção hormonal. Seu crescimento ocorre até a 20 semana de gestação (pela DUM ou 18 da fecundação).
Está formada pela:
• Decídua materna: porção materna, originada do endométrio e dividida em basal, capsular e parietal. Esse tecido é estimulado pela progesterona a proliferar-se e acumular glicogênio em seu citoplasma.
A decídua basal é o principal componente placentário materno. Os cotilédones placentários formados pelos septos da placenta substituem progressivamente a decídua basal.
• Sincicio e citotrofoblasto: permitem o surgimento da porção fetal a partir do saco coriônico. É formado pelo córion viloso com vilosidades projetadas para o espaço interviloso.
Com a expansão do saco coriônico as vilosidades associadas à decídua capsular sofrem atresia por compressão (a partir da 4a semana), originando o córion liso e em seu lado oposto, associado ao cordão umbilical, o córion viloso. Suas vilosidades são, pois, compostas de sincicio e citotrofoblasto e medoderma extraembrionário.
A junção das porções maternas e fetais da placenta é feita pela capa citotrofoblástica aonde as vilosidades ancoram o saco coriônico à decídua basal. Através de fendas nessa capa passam vasos endometriais (artérias espiraladas e veias endometriais), que deságuam no espaço interviloso (originado das lacunas).
Após deixar o espaço interviloso, o sangue deve chegar ao feto e à mãe. O sangue com oxigênio e nutrientes chega ao feto por meio da veia umbilical e seus excretas alcançam a circulação materna por meio das duas artérias umbilicais. As duas artérias e veia formam o cordão umbilical, presente na parte vilosa da placenta. É proveniente do mesoderna extraembrionário que primeiramente origina o pedículo de conexão.
A obliteração da cavidade uterina ocorre quando as decíduas parietal e capsular sofrem fusão. Posteriormente a porção capsular regride devido ao reduzido suprimento sanguíneo, sendo a parietal, fundida com a membrana amniocoriônica (o córion liso sofre fusão com a membrana amniótica, dando origem à membrana amniocoriônica).
A placenta relaciona-se com seus anexos: córion, âmnio, saco vitelínico e alantóide.
O alantóide é uma projeção do saco vitelínico como intestino primitivo para o interior do cordão umbilical (cordão fibroso chamado uráco) e posteriormente forma o ligamento umbilical mediano. Do seu mesoderma localizado externamente originam-se os vasos do cordão umbilical.
O líquido amniótico está composto de fluido intersticial materno, tecidular fetal, respiratório fetal, urina fetal e células fetais descamadas e amnióticas.
Na quarta semana, o endo, meso e ectoderma intraembrionário migram para saco vitelínico, o qual é parcialmente incorporado quando do dobramento do embrião. Nesse momento, forma, então, um tubo (internamente com endoderma formador de epitélio e gls. e externamente com mesoderma visceral) que originará:
• Tubo digestivo;
• Fígado;
• Árvore respiratória;
• Pâncreas;
• Vesícula biliar;
• Bexiga;
• Uretra;
Após a incorporação parcial do saco vitelínico, a vesícula vitelínica remanescente adquire a função de fornecer células germinativas a partir de seu endoderma.
Ao mesmo tempo, a cavidade amniótica (antes dorsal) passa a recobrir todo o corpo do embrião e o ectoderma origina epiderme por revestimento (além do tubo e das cristas neurais). Seu TC é proveniente dos dermátomos originado dos somitos do mesoderma somático. Dos somitos também surge o miótomo, formador do tecido muscular da parede de membros. Além disso, o mesoderma somático origina as vértebras.
Do mesoderma intermediário surgem rins, sistema reprodutor, ureteres e adrenais.

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