Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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1) Inspeção: avaliar a forma e a respiração. Procurar abaulamentos localizados, depressões, lesões. Atentar para eliminações, ondas peristálticas visíveis, circulação colateral e avaliar o umbigo.

A forma do abdome deve ser plano (no mesmo nível do tórax). O tórax cilíndrico acarreta um abdome cilíndrico, com padrão de respiração abdominal em crianças menores. Com o crescimento o esterno e os arcos costais perdem seu ângulo reto e o tórax torna-se elíptico e o abdome plano, entre 6-7 anos.

Nesse contexto, o abdome pode tornar-se inteiramente globoso por:

· Aumento da espessura da parede: obesidade e edema generalizado.

· Acúmulo de líquido: ascite ou peritonite.

· Gazes: pneumo peritôneo.

· Aumento de volume de órgãos abdominais: visceromegalias, tumores, cistos ou megacólon congênito.

O abdome pode ser parcialmente globoso por:

· Hérnia umbilical: fraqueza da fáscia do músculo reto abdominal

Retrações generalizadas podem ocorrer por:

· Caquexia

· Hernia diagragmática: o abdome é escavado e diagnóstico feito na sala de parto. Requer intubação imediata. As alças intestinais invaginam para o tórax e comprimem o pulmão. Pode ter comprometido o desenvolvimento pulmonar na vida IU (hipoplasia). Apresenta sinais de desconforto respiratório como cianose, retração de fúrcula e batimento de asa de nariz. Diagnóstico auxiliar é feito com RX.

· Síndrome de Prune Belly (ausência dos míusculos abdominais): abdome em ameixa, enrugado. A criptorquidia é bilateral e há má formações renais diversas (agenesia).

Uma forma de retração localizada é a diástase da fáscia do reto abdominal.

As eliminações podem ser feitas por estomias e deve-se avaliar o aspecto destas.

As ondas peristálticas não são normalmente visíveis, mas ocorrem em:

· Desnutrição (parede abdominal fina)

· Obstrução intestinal: inicialmente aumentam-se os movimentos peristálticos e os RHA. Em seguida, ambos são reduzidos e podem desaparecer.

· Estenose hipertrófica do piloro: mais comumente em meninos com 15-20 dias, manifestado por vômitos “em jatos”. Oclui pela hipertrofia da região do piloro. O US pode detectar mas ao colocar a criança para mamar vê-se peristaltismo da esquerda para a direita. Tto cirurgico.

A circulação colateral decorre de hipertensão portal.

Ao nascimento pode haver extrofia de vísceras, como de bexiga ou de intestino. Estas são:

· Gastrosquise: as alças de exteriorizam lateralmente ao umbigo (fora da linha média). Mais a associada a demais má formações. Diagnóstico feito na sala de parto.

· Onfalocele: as alças saem na cicatriz do umbigo (na linha média), normalmente recobertas de peritônio (pode romper) por defeito da linha média. Diagnóstico feito na sala de parto.

O umbigo no RN possui 2 A e 1 V, com eventual formação de granuloma (involui com nitrato de prata) e pode infeccionar, herniar ou formar tumores.

2) Ausculta: o borborigmo é a passagem de gases e líquidos pelas alças (RHA). Pode ser aumentado ou diminuido.

O hiperperistaltismo ocorre, por exemplo por:

· Diarréia

· Início de peritonite

· Fase inicial de obstrução intestinal mecânica

3) Palpação: para realizar esse tempo, é necessário ganhar a confiança da criança.

A palpação superficial deve ser feita nos quadrantes e bilateral para avaliar:

· Sensibilidade

· Espessura da parede

· Tumorações

· Solução de continuidade ou descontinuidade: p.ex. diástase.

· Tensão: peritonite

· Defesa muscular

A palpação profunda deve usar a mão espalmada e aprofunda na inspiração. Serve especialmente para avaliar fígado e baço.

O fígado deve ter sua borda superior entre os 5-6 espaço intercostal e a inferior, entre os 2-3. Até os 2 anos o fígado está rebaixado. Pode ser deslocado para cima, por exemplo, por presença de ascite e pode ser principalmente aumentado por infecções e infestações (p.ex. ascaris) ou por intoxicações (p.ex. medicamentosas). Pode ser por doenças do sangue (p.ex. anemia hemolítica).

A técnica de palpação hepática pode ser com uma mão só, com as pontas dos dedos indo de baixo para cima, superficialmente a fim de reconhecer:

· Localização do órgão

· Superfície

· Consistência

· Dor ou sensibilidade

O baço é geralmente não palpável. Pode ser palpado com uma ou duas mãos. O paciente deve estar em decíubito dorsal à direita discretamente, para palpar em garra. A esplenomegalia pode ocorrer por infestação, infecção, doenças do sangue (p.ex. anemia hemolítica) ou ocorre por leucemia e linfomas/neoplasias

4) Percussão: o som é timpânico (aumentado por gazes) pelo método digito-digital. Se maciço sugere presença de vísceras e fezes.

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