QUEDAS EM IDOSOS
Definição
- É o deslocamento não intencional do corpo, para um nível inferior à posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinada por circunstâncias multifatoriais comprometendo a estabilidade.
- A queda pode ser considerada um evento sentinela na vida de uma pessoa idosa, um marcador potencial do inicio de um importante declínio da função ou um sintoma de uma nova patologia.
- Aspecto fundamental da prevenção em geriatria, exigindo atenção multiprofissional.
- Causa multifatorial.
Epidemiologia
- Ocorrência de quedas por faixas etárias a cada ano:
- + de 50%/ano
- 30% dos idosos caem ao menos uma vez por ano.
- Frequência maior em mulheres que em homens numa faixa etária.
- Incidência bruta de fraturas do fêmur proximal em pessoas com 70 anos ou mais.
- Os idosos que caem mais de duas vezes num período
- Hospitalizados
Fatores de risco
- A estabilidade depende:
- da recepção adequada de componentes sensoriais e cognitivos:orientação espaciotemporal, memória, capacidade de calculo, capacidade de planejamento e decisão, linguagem, expressão e compreensão;
- integrativos centrais : cerebelo;
- integrativos musculo-esqueléticos: o efeito cumulativo de alterações relacionadas à idade , doenças e meio-ambiente, predispõem a quedas.
Fatores de Risco Intrínsecos:
- Idade > 80 anos
- Sexo feminino
- Deficiência de vitamina D
- Comprometimento cognitivo
- AVC
- Marcha lenta
- IMC baixo
- Incontinência
- Depressão
- Déficits sensoriais
- Diminuição da visão: redução da percepção de distancia, visão periférica e adaptação ao escuro.
- Diminuição da audição : não ouve alarmes
- Distúrbios vestibulares : alterações de equilíbrio, infecções ou cirurgias prévias.
- Distúrbios proprioceptivos; diminuição das informações das bases de sustentação, por exemplo, nas neuropatias periféricas
- Aumento do tempo de reação ao perigo.
- Diminuição da sensibilidade dos baro-receptores, com HO.
- Distúrbios músculo-esqueléticos: fraqueza de MMII
- Sedentarismo.
- Deformidades nos pés
- Medo de quedas
- Parksonismo
Patologias específicas:
- Cardio-vasculares: HO, crise hipertensiva, arritmias, ICo, ICC, síncope vaso-vagal e insuficiència vertebro basilar.
- Neurológicas: hematoma sub-dural, demência, AVC, AIT, parkinsonismo, delirium, labirintopatias e disritimia cerebral.
- Endócrino-metabólicas: tireoidopatias, diabetes descompensada e distúrbio hidro-eletrolíticos.
- Pulmonares: DPOC e embolia pulmonar
- Miscelânea : Distúrbios psiquiátricos ( depressão), anemia, hipotermia e infecções graves ( sepse, respiratória e urinária).
Fatores de Risco Extrínsecos:
- Polifarmácia
- Psicotrópicos
- Intoxicação ou abstinência
- Hospitalização
- Residência em ILPs
Fatores de Risco Ambientais
- Iluminação inadequada.
- Superfícies escorregadias ou irregulares.
- Tapetes soltos ou com dobras.
- Degraus estreitos.
- Obstáculos no caminho: móveis baixos, fios e pequenos objetos.
- Ausência de corrimão em banheiros e corredores.
- Prateleiras muito altas ou muito baixas.
- Calçados inadequados.
- Roupas muito compridas.
- Vias públicas e privadas inadequadas.
Medicamentos:
- 1) Ansiolíticos, hipnóticos e anti-psicóticos.
- 2) Anti-depressivos.
- 3) Anti-colinérgicos.
- 4) Diuréticos.
- Anti-arrítmicos.
- Hipoglicemiantes .
- Anti-inflamatórios, não hormonais e hormonais.
- Polifarmacologia com cinco ou mais drogas.
Resumo
- Alto risco para quedas: idosas com 80 anos ou mais, com equilíbrio diminuído, marcha lenta com passos curtos, baixa aptidão física, fraqueza muscular em membros inferiores e superiores, deficiência cognitiva, com uso de sedativos ou sedativos ou polifarmácia.
- Mais de 70% das quedas ocorrem em casa, sendo que as pessoas que vivem só apresentam risco aumentado. Fatores ambientais podem ter um papel importante em até metade de todas as quedas.
Timed
Anamnese específica:
- Onde e como caiu, e o que estava sentindo. Sintomas!!!
- Quais medicamentos usa ? Houve alteração recente nas dosagens?
- Houve alteração cognitiva?
- Quais os fatores de risco ambientais?
- Insistir em fatores de risco, pois frequentemente omitem com medo de institucionalização
Exame Físico:
- Sinais vitais, hidratação, sinais de anemia e estado nutricional.
- Exame físico específico cardiorrespiratório.
- Orientação temporo-espacial, equilíbrio e marcha.
Exames complementares :
- Hemograma, glicemia, creatinina, eletrólitos,TSH, enzimas cardíacas e gasometria.
- Urina Tipo I.
- ECG.
- Raio-X de Tórax.
- TC de Crânio
Prevenção:
- Orientar o idoso e a família sobre os riscos de quedas e suas consequências.
- Avaliação Geriátrica Global: função cognitiva, estado psicológico( humor), capacidade de viver só e executar as AVDs, condições econômicas.
- Racionalização da prescrição e correção de doses e de combinações inadequadas.
- Redução de bebida alcoólicas .
- Avaliação anual da audição, visão e da cavidade oral.
- Avaliação dos pés.
- Avaliação com nutricionista, para correção dos disturbios da nutrição.
- Fisioterapia e exercícios físicos, para todos, mesmo em idosos frageis, como em cadeiras de rodas, melhoras a força dos membros superiores, ajuda a evitar quedas.
- Terapia Ocupacional, promovendo condições seguras no domicílio, identificando estresses ambientais, orientando cuidadores.
- Denunciar suspeitas de maus–tratos.
- Correção de fatores de riscos ambientais, barras rampas, pisos, etc.
- Medidas gerais de promoção de saúde, na osteoporose, infecções, HAS, DM.
IDOSO ACAMADO
Declínio funcional durante a hospitalização
| Diminução da força muscular e capacidade aeróbica. | Imobilização.Camas altas e grades. | Descondicionamento.Quedas.Dependência |
| Instabilidade vasomotora | Diminuição do volume plasmático. | Síncope, tontura.Quedas, fraturas |
| Diminuição da densidade óssea | Perda óssea acelerada | Aumento do risco de fratura |
| Diminuição sensorial | Isolamento, perdas sensorial, falta de ajudas | DeliriumRestrições físicas e químicas |
| Mudança do sistema tegumentar | Imobilização.UmidadeForça de fricção | Úlceras por pressãoInfecção.Sepsis |
Maior risco de declinação funcional em:
- AVC
- Fratura de quadril
- Insuficiência cardíaca
- Pneumonia
- Doença coronariana
- Câncer
Efeitos da imobilidade
- Digestório: diminuição do peristaltismo (ausência de gravidade), constipação, diarréia espúria (impactação fecal), diminuição da sede, olfato e paladar, levando a anorexia e emagrecimento.
- Osteomuscular: contraturas (atividade elétrica alterada e aumento da excitação), rigidez, atrofias (diminui força física), diminuição da força dos tendões e ligamentos, retrações, atrofia sinovial, degeneração da cartilagem. No ósseo: osteopenia e osteoporose.
- Cardiovascular: aumento da FC, descondicionamento do músculo cardíaco e vasoespasmo,; PA não sofre alterações significativas.
- Respiratório: ventilação, perfusão e mobilização de secreções prejudicadas (risco de broncoaspiração); tosse inefectiva; predisposição a infecções (pneumonia). Redução da capacidade vital, alteração da relação perfusão/ventilação, respiração superficial, aumento da produção de secreções.
Achados clínicos em ortopedia
- Estertores subcrepitantes: provavelmente causados por fibrose pulmonar.
- Úlceras de pressão: devido à imobilidade.
- Sopro sistólico: causado por calcificação de válvula.
- Emagrecimento: causado pela redução do apetite somada às alterações causadas pela imobilidade.
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Fragilidade
CONCEITO:
Síndrome médica com múltiplas causas e fatores
contribuintes
Diminuição de força, resistência a estressores e da
função fisiológica.
Aumento da vulnerabilidade
Aumento da dependência e/ ou morte
Fatores de risco
• Idade > 80 anos
• Sexo feminino
• Baixa escolaridade
• Baixa renda
• Morar sozinho
• Fraqueza muscular
• Déficit cognitivo
• Depressão
• Neoplasia
• Polifarmácia
• Incapacidade AVD
Critérios diagnósticos
Critérios fenotípicos (Fried)
• Exaustão
• Inatividade física
• Perda de peso
• Lentificação
• Fraqueza
Acúmulo de déficits (Rockwood)
• Avaliação geriátrica ampla
• Multidimensional
• 92 variáveis estudadas e
combinadas
Índice de fragilidade:
número déficits >0,15
n° variáveis………
1
Critérios de baixa complexidade
FRAIL
FADIGA: Você se sente cansado?
RESISTÊNCIA: Tem dificuldade para
subir um lance de escada?
AERÓBICO: Tem dificuldade de
andar um quarteirão?
DOENÇAS: Tem mais de 5 doenças?
PERDA DE PESO: Perdeu mais de
5% do peso nos últimos 6 meses?
0: não frágil
1-2: pré-frágil
3-5: frágil
SOF
PERDA DE PESO >5% em 3 anos?
EXAUSTÃO: você se sente cheio de
energia?
REDUÇÃO DE MOBILIDADE: NÃO
consegue levantar e sentar da
cadeira sem apoio 5x.
0: não-frágil
1: pré-frágil
2-3: frágil
Na prática
• Identificar risco:
– Rastrear idosos > 70 anos
– Perda de peso 5% no último ano
• Tratar as multimorbidades
Tratamento
- Exercícios físicos resistidos, progressivos e
supervisionados. - Suporte nutricional
- Aumento calórico e proteico
- Vitamina D
- Polifarmácia
- Suspender medicações catabólicas
QUEDAS
“Deslocamento não-intencional
para um nível inferior à posição inicial,
com incapacidade de correção em tempo hábil,
determinado por circunstâncias multifatoriais,
comprometendo a estabilidade”.
(Pereira et al., 2001)
Epidemiologia
• 30 a 40% dos idosos >65 anos caem anualmente
• 50% dos idosos> 80 anos caem
• 50% dos pacientes institucionalizados caem
• 60% dos pacientes com queda no último ano terão
novo evento
Consequências
Trauma direto Danos
psicológicos
e sociais
Imobilidade
pós queda
Consequências
• Fratura de colo de fêmur:
- Ocorre em 1% das quedas
- 95% das fraturas de fêmur
decorrem de queda - Média de internação: 15 dias
• Outras fraturas
• Lesões de partes moles
• Trauma fatal
Consequências
• Dor contínua
• Restrição das atividades
• Pneumonia
• TVP
• TEP
• Lesão de pressão
• Atrofia muscular
• Piora da funcionalidade
• Institucionalização
Consequências
• Medo de cair (síndrome de
ansiedade pos-queda)
• Superproteção dos familiares
• Dependência
• Inatividade e imobilidade
• Isolamento social
• Depressão
• Institucionalização
Homeostase da estabilidade postural
Equilíbrio
Função
cardiovascular
Estabilidade
de marcha
Doença
aguda
Estresse
ambiental
Superficie
insegura
Medicamento
Fatores de risco
Idade > 80 anos
Sexo feminino
AVC
Hipotensão ortostática
Fraqueza de membros inferiores
Transtorno cognitivo
Osteoartrite
Tontura
Doença de Parkinson
Déficit visual
Medicações psicotrópicas
Antecedente de queda
Fatores de risco
• Chinelo
• Tapetes
• Pouca iluminação
• Subir em cadeiras
• Ambientes inseguros
• Comportamentos de risco
Fatores
EXTRÍNSECOS
Pacientes
saudáveis
Mais expostos
Avaliação
- Anamnese
“ O senhor caiu no último ano?”
Se teve queda: sintomas prodrômicos
Comorbidades
Medicamentos
Fatores ambientais
Força muscular
• Testes do sentar e levantar
• Timed Get Up and Go test
• POMA -– Performance-Oreinted Assessement of Mobility
(TINETTI)
• Alcance funcional anterior e lateral
Avaliação
• Hipotensão postural
• Audição
• Visão
• Deformidades nos pés
• Exame neurológico direcionado (força, marcha,
propriocepção e estabilidade postural)
Intervenções
- Exercícios físicos
- Equilíbrio
- Resistência: quadríceps
- Tai Chi
- Tratar comorbidades
- Suspender medicamentos de risco
- Corrigir déficits sensoriais
- Modificações ambientais
- Educação e aconselhamento
- Suplementação de vitamina D, se necessário

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