Etiologia
- primária
- secundária (a outra doença)
Fisiopatologia
- tubo digestivo: atrofia das vilosidades -> má digestão, diarreia
- fígado: esteatose -> diminuição das proteínas, edema, hipoglicemia
- músculos: perda de massa -> magreza, miocardiopatia
- sistema imune: atrofia de timo e linfonodos -> infecções
- metabolismo: bomba de Na e K alterada -> hiponatremia, Na no LIC
- rim: diminuição da TFG -> intolerância ao sódio e líquidos
Diagnóstico
Antropometria
- avaliação das dimensões físicas e da composição global do corpo humano
- Gráficos do National Center for Health Statistics (NCHS): ultravalorização da alimentação artificial
- percentil
- 3 índices mais usados: peso/idade, estatura/idade e peso/estatura
- Ministério da Saúde: incorporação das curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde de 2006 e 2007 no SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional)
Classificações de Desnutrição
Classificação de Gomez
- preconizada para < 2 anos
- baseia-se em peso/idade: (peso/peso ideal para idade) x 100
- 91-110%: eutrofia
- 76-90%: desnutrição leve ou 1º grau
- 61-75%: desnutrição moderada ou 2º grau
- <= 60%: desnutrição grave ou 3º grau
- edemaciado diminui um grau
Classificação de Waterloo
- preconizada de 2 a 10 anos
- baseia-se em estatura/idade e peso/estatura
- E/I > 95% e P/E > 90%: normal
- E/I > 95% e P/E < 90%: emagrecido (desnutrição aguda)
- E/I < 95% e P/E > 90%: nanismo
- E/I < 95% e P/E < 90%: emaciação + nanismo (desnutrição crônica)
Classificação da OMS
- baseia-se em z escore
- moderada: E/I z score: – 2 -> – 3 e P/E z score: – 2 -> – 3
- grave: E/I z score: < – 3 e P/E z score: < – 3
Classificação do Ministério da Saúde
- interpretação das curvas de crescimento
- baseia-se em percentil (peso/idade)
- acima do percentil 97: sobrepeso (z = +2)
- entre os percentis 97 e 3 (z = -2): normalidade
- entre os percentis 10 e 3 (em queda): risco nutricional
- entre os percentis 3 e 0,1 (z = -3): peso baixo (desnutrido moderado)
- abaixo do percentil 0,1: peso muito baixo (desnutrido grave)
Formas graves de desnutrição
Marasmo
- mais comum < 18 meses
- carência global de calorias
- Quadro clínico:
- ausência de edema
- ausência de panículo adiposo
- perda da bola de Bichat: fácies senil
- faminto
- inquieto, choro forte e contínuo, irritado
Kwashiorkor
- “doença do filho mais velho quando nasce o segundo”
- mais comum após os 2 anos
- déficit proteico
- Principal característica clínica: edema
- Quadro clínico:
- lesões de pele
- apática, não ri, pouco chora
- baixa tolerância ao frio e ao calor
- dentes em condições boas
- alterações dos cabelos
- sinal da bandeira: faixa no cabelo
- hepatomegalia: esteatose
- grande emagrecimento: inspeção do tórax
- Alterações laboratoriais: hipoalbuminemia, anemia e hipocalemia
Classificação de McLaren
Achados:
- Edema (3)
- Alteração de pele (2)
- Edema e alteração de pele (6)
- Alteração do cabelo (1)
- Hepatomegalia (1)
Albumina:
- > 3,5: 0
- 3,0 a 3,4: 1
- 2,5 a 2,9: 2
- 2,0 a 2,4: 3
- 1,5 a 1,9: 4
- …
- 0 a 0,4: 7
Resultado:
- marasmo: 0 a 3 pontos
- marasmo/kwashiorkor: 4 a 8 pontos
- kwashiorkor: 9 a 15 pontos
Tratamento (trifásico)
Fase 1: fase de estabilização (1ª semana)
- corrigir alterações hidroeletrolíticas
- tratar infecções
- iniciar a alimentação (80 kcal a 100 kcal/kg/dia)
Riscos do tratamento
- reidratação inadequada: falência cardíaca
- não reconhecimento de infecções
- não tratamento da hipoglicemia e da hipotermia
Fase 2: reabilitação (2ª a 6ª semana)
- alimentação intensiva (150 a 220 kcal/kg)
Fase 3: fase de acompanhamento (7ª a 26ª semana)
- após a alta, acompanhar semanalmente
Síndrome de recuperação nutricional
- aparecimento: 20 a 40 dias após o início do tratamento
- regride espontaneamente após 2-3 meses
- Quadro clínico:
- hepatomegalia
- distensão abdominal
- ascite
- rede venosa colateral
- pele úmida: sudorese
- hipertricose
- cabelos: pelo de rato
- telangectasias
- fácies de lua cheia (cortisol)
- Laboratório: hipergamaglobulinemia e eosinofilia

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