Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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Classificação das doenças ocupacionais e do trabalho

  • Classificação de Schilling: I trabalho como causa necessária: II trabalho como fator contributivo, mas não necessário; III trabalho como provocador de distúrbio latente ou agravador de doença já estabelecida.

2. PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO (PAIR)

Definição: diminuição gradativa da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a níveis elevados de ruído:

  • é sempre neurossensorial, por causar danos às células da orelha interna.
  • é irreversível e quase sempre similar bilateralmente.
  • é passível de não progressão, uma vez cessada a exposição ao ruído.

3. DISTÚRBIO OSTEOMUSCULAR RELACIONADO AO TRABALHO (DORT/LER)

Definição: conjunto de doenças que afeta nervos, músculos e tendões por 3 causas principais:

  • movimentos repetitivos
  • grandes esforços
  • postura inadequada

Exemplos: tendinites, tenossinovites, bursites, epicondilites, síndrome do túnel do carpo, mialgias, etc.

Diagnóstico: basicamente clínico

Principais sintomas:

  • dor nos membros superiores e dedos com dificuldade para movimentação
  • parestesias
  • fadiga muscular
  • alteração de temperatura e sensibilidade
  • redução na amplitude de movimentos
  • quadros inflamatórios

Tratamento:

  • crises agudas: AINH e repouso
  • fases mais avançadas: corticoides via oral e aplicados na área da lesão, fisioterapia, intervenção cirúrgica.

Prevenção:

  • alongamento antes e após o trabalho
  • postura adequada
  • descanso de 5 minutos a cada hora de trabalho

4. DERMATOSES OCUPACIONAIS

Definição: compreendem as alterações da pele, mucosas e anexos, direta ou indiretamente causados, mantidos ou agravados pelo trabalho.

No Brasil, as dermatoses ocupacionais ocorrem em maior número na construção civil e em segundo lugar nas indústrias metalúrgicas, sendo que estas têm maiores incidências em empresas de pequeno porte, onde não são utilizadas muitas vezes os EPIs.

Na indústria metalúrgica, a maioria dos casos são dermatites irritativas causadas principalmente pelos óleos de cortes (óleos minerais).

As dermatoses podem ser causadas por agentes químicos, biológicos e físicos:

  • Agentes biológicos mais comuns: bactérias, fungos, leveduras, vírus e insetos.
  • Agentes físicos principais: radiações não-ionizantes, calor, frio e eletricidade.
  • Agentes químicos mais encontrados na indústria: irritantes (cimento, solventes, óleos de corte, detergentes, ácidos e álcalis) e alérgenos (aditivos da borracha, níquel, cromo e cobalto como contaminantes do cimento, resinas, etc.)

Para o diagnóstico e o estabelecimento das condutas adequadas às dermatoses ocupacionais, confirmadas ou suspeitas, é importante considerar os seguintes aspectos:

Quadro clínico

  • história de exposição ocupacional, observando-se concordância entre o início do quadro e o início da exposição, bem como a localização das lesões em áreas de contato com os agentes suspeitos;
  • melhora com o afastamento e piora com o retorno ao trabalho;
  • teste de contato positivo, nos casos de dermatites de contato por sensibilização. A prova será positiva se ocorrer vermelhidão, edema, vesículas e exsudação nos locais de contato.

Tratamento

  • depende de cada caso, podendo-se lançar mão de EPIs, troca da substância/fator irritante ou mudança da função do trabalhador.

5. INTOXICAÇÕES EXÓGENAS

Agrotóxicos

    • Definição: (…) produtos e componentes de processos físicos, químicos e biológicos destinados ao uso no setor de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas nativas ou implantadas e de outros ecossistemas, e também em ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora e da fauna, a fim de preservá-la da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (…) Lei Federal 7802 de 11/07/1989
    • Classificação:
      a) Quanto aos tipos de organismos que controlam: inseticidas, acaricidas, fungicidas, herbicidas, nematicidas, moluscicidas, raticidas, avicidas, columbicidas, bactericidas e bacteriostáticos.
      b) Quanto ao grau de toxicidade:
      – Classe I: extremamente tóxico (tarja vermelha)
      – Classe II: altamente tóxico (tarja amarela)
      – Classe III: medianamente tóxico (tarja azul)
      – Classe IV: pouco tóxico (tarja verde)
    c) Quanto à classificação química:
    – Classe I: extremamente tóxico (tarja vermelha)
    – Classe II: altamente tóxico (tarja amarela)
    – Classe III: medianamente tóxico (tarja azul)
    – Classe IV: pouco tóxico (tarja verde)

Saturnismo

      • Intoxicação crônica por chumbo inorgânico
      • A contaminação do organismo pelo chumbo depende das propriedades físico-químicas do composto, da concentração no ambiente, do tempo de exposição, das condições de trabalho (ventilação, umidade, etc) e dos fatores individuais do trabalhador (idade, condições físicas, hábitos, etc).
      • Vias de absorção do chumbo: respiratória, digestiva e cutânea.
      • Principais atividades profissionais:
        – Fabricação e reforma de baterias
        – Indústria de plásticos
        – Fabricação de tintas
        – Fundição de chumbo, latão, cobre e bronze
        – Reforma de radiadores
        – Manipulação de sucatas
        – Trabalhos com solda
        – Manufatura de vidros e cristais, etc
      • Sinais e sintomas na intoxicação crônica:
        – Cefaleia
        – Astenia
        – Cansaço fácil
        – Alterações de comportamento (irritabilidade, agressividade, etc)
        – Alterações do estado mental (apatia, redução da memória, etc)
        – Alteração da habilidade psicomotora
        – Redução da força muscular, dor e parestesia, etc…
      • Indicador de exposição a chumbo inorgânico(NR-7):
        – Pb sanguíneo =< 40µg/dL em indivíduos expostos
        – Pb sanguíneo < 8µg/dL em indivíduos não expostos
        – IBMP = 60µg/dL
        São preconizadas dosagens a cada 6 meses
      • Se dosagem de Pb entre 50-60µg/dL em 2-3 testes consecutivos – afastar o trabalhador e monitorar Pb sanguineo mensalmente, até chegar a 40µg/dL.
      • Indicador de exposição a chumbo orgânico (tetraetila): dosagem de Pb urinário
      • Tratamento:
        a) Inespecífico: medidas gerais de suporte + DPX para convulsões e Manitol p/ edema cerebral.
        b) Ingestão aguda: indução de vômito (até 30min após ingestão), carvão ativado.
        c) Específico para Pb inorgânico: A quelação profilática é proibida por lei em trabalhadores expostos ao chumbo. O tratamento de quelação está indicado em pacientes sintomáticos e naqueles em que a concentração do chumbo sangüíneo seja maior do que 50-60μg/dl. São comumente utilizados 3 quelantes: o edetato dissódico de cálcio (CaNa2EDTA ou simplesmente EDTA – Ácido Etileno Diamino Tetra-Acético), o dimercapol (British anti-Lewiste = BAL), e a D-penicilamina. Os
        tratamentos orais também consistem na utilização de vitaminas, minerais e aminoácidos.

Hidrargirismo

      • O mercúrio e seus compostos tóxicos (mercúrio metálico ou elementar, mercúrio inorgânico e os compostos orgânicos) ingressam no organismo por inalação, absorção cutânea e por via digestiva.
      • O mercúrio metálico é utilizado principalmente em garimpos, na extração de ouro e prata, em células eletrolíticas para produção de cloro, fabricação de termômetros, barômetros e em amálgamas para uso odontológico.
      • Os compostos inorgânicos são utilizados em indústrias de compostos elétricos, eletrodos, polímeros sintéticos e como agentes antissépticos.
      • Os compostos orgânicos são usados como fungicidas e inseticidas.
      • Intoxicação aguda:
        – Pneumonite intersticial aguda, bronquite e bronquiolite
        – Tremores e aumento da excitabilidade
      • Intoxicação crônica:
        – Cefaleia
        – Redução da memória
        – Instabilidade emocional
        – Parestesias
        – Diminuição da atenção
        – Gengivite, sialorreia, irritabilidade, tremores
      • Tratamento para intoxicação aguda:
        – Sintomáticos + Lavagem gástrica com água e albumina ou leite de magnésia + laxantes e eméticos
        – Dimercapol (BAL – British Anti-Lewisite) por 10 dias
        – Rongarita (formaldeído sulfoxilato de sódio) usada para lavagem a 5%
      • Tratamento para intoxicação crônica:
        – Afastar o pacientes do local ou fonte de intoxicação
        – Manter nutrição por via endovenosa ou oral
        – Tratar a oligúria
        – Terapia de sustentação e substâncias queladoras (BAL)

Solventes orgânicos (benzeno)

      • Nome genérico atribuído a um grupo de substâncias químicas líquidas à temperatura ambiente, com características físico-químicas (volatilidade, lipossolubilidade) que tornam o seu risco tóxico bastante variável.
      • São empregados como solubilizantes, dipersantes ou diluentes, de modo amplo em diferentes processos industriais, no meio rural e em laboratórios químicos, como substâncias puras ou misturas.
      • Classificação:
        – Hidrocarbonetos alifáticos (n-hexano e benzina)
        – Hidrocarbonetos aromáticos (benzeno, tolueno e xileno)
        – Hidrocarbonetos halogenados (di/tri/tetracloroetileno, monoclorobenzeno, cloreto de metileno)
        – Álcoois (metanol, etanol, isopropenol, butanol, álcool amílico)
        – Cetonas (metil isobutilcetona, ciclohexanona, acetona)
        – Éteres (éter isopropílico, éter etílico)
      • Benzenismo é o nome dado às manifestações clínicas ou alterações hematológicas compatíveis com a exposição ao benzeno.
      • Setor siderúrgico, refinarias de petróleo, indústrias de transformação que utilizem benzeno como solvente, ou em atividades onde se utilizem tintas, vernizes, selador, thinner, etc.
      • Sintomas clínicos relacionados às alterações hematológicas, como fadiga, palidez cutânea e de mucosas, infecções frequentes, sangramentos gengivais e epistaxe. Astenia, irritabilidade e alterações de memória.
      • O benzeno é considerado uma substância mielotóxica, pois nas exposições crônicas atua sobre a medula óssea, produzindo quadro de displasia medular, pancitopenia e anemia aplástica.
      • Estudos demonstram a relação do benzeno com a leucemia mielóide aguda e crônica, com a leucemia linfóide crônica e com linfoma de Hodgkin.
      • Diagnóstico: anamnese clínico-ocupacional, exame físico e laboratoriais: no mínimo 2 hemogramas com contagem de plaquetas/reticulócitos em 15 dias, e 2 amostras de fenol urinário (1 ao final do trabalho e outra antes da jornada de trabalho).

Cromo

      • O metal e seus compostos são presentes em numerosos processos da produção industrial de cimento, galvanoplastia, química, eletroquímica, mecânico, metalúrgico, têxtil, etc.
      • Existem 3 grupos:
        – compostos cromosos bivalentes
        – os compostos crômicos trivalentes
        – cromatos hexavalente
      • Somente os 2 últimos tem interesse industrial; os mais importantes são os bicromato de sódio e de potássio.
      • Os compostos de cromo podem ser irritantes e alérgenos para a pele e irritantes para as vias aéreas superiores: prurido nasal, rinorreia, epistaxe, que evoluem com ulceração e perfuração do septo nasal, irritação da conjuntiva com lacrimejamento e irritação da garganta.
      • Prurido cutâneo nas regiões de contato, erupções eritematosas ou vesiculares e ulcerações de aspecto circular com dupla borda.
      • Dispneia, tosse, expectoração e dor no peito. O câncer pulmonar é, porém, o efeito mais importante sobre a saúde do trabalhador.

6. DISTÚRBIOS MENTAIS E TRABALHO

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Acidentes de trabalho

  • Lesão, doença ou morte/ redução temporária ou permanente.
  • Trabalho formal ou informal – típicos ou de trajeto
  • Adequar o trabalho ao trabalhador
  • Notificação compulsória + Comunicação do acidente de trabalho (CAT) – 1º dia útil após o acidente; se fatal, notificação e investigação imediata.
  • Doenças degenerativas, endêmicas* e que não incapacitem não são consideradas acidentes.

PAINPSE

Agrotóxicos

  • Inseticidas: organoclorados – ação no SNC, acumula no meio ambiente; organofosforados/carbamatos  – inibem a acetilcolinesterase – sd. colinérgica (sialorreia e miose) – OF inibição irreversível – antagonista atropina; piretroides – permetrina – usados em dedetização – irritação, alergia, neuropatia.

Esgotamento profissional (burn-out)

  • 4%, ~40 anos, mulher, trabalho com pessoas/ Schilling II (outros psiquiátricos geralmente Schilling III).
  • Exaustão emocional, despersonalização, diminuição de envolvimento.
  • Fadiga crônica, cefaleia, alterações do sono.
  • Consumo excessivo de café, álcool e drogas.
  • Bom: horário rígido, atividade social e esportiva.

Metais pesados/gases tóxicos

  • Benzeno (benzenismo) – petróleo/siderurgia – mielotóxico – investigação com história ocupacional + hemograma
  • Chumbo (saturnismo) – tintas/baterias – dor abdominal, gota, HAS, linha gengival (Burton), anemia.
  • Mercúrio (hidrargirismo) – Cl-soda/lâmpadas – rim (nefrótica) e cabeça
  • Cromo – galvanoplastia/curtumes – irritação/câncer de pulmão
  • Cádmio – osteoporose (fratura…)
  • Arsênico – queimadura, odor de alho.

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