Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

[
[
[

]
]
]

ESCLEROSE SISTÊMICA (ESCLERODERMIA)

Definição

  • Doença multissistêmica crônica autoimune caracterizada por fibrose cutânea e visceral, acompanhada de alterações vasculares estruturais e funcionais.

Epidemiologia

  • Incidência de 20 por milhão ao ano, prevalência de 250 por milhão (EUA)
  • Acomete todas as raças (especialmente a negra)
  • Maior incidência entre os 30 e 50 anos de idade
  • Quatro vezes mais comum em mulheres
  • Etiologia incerta (fatores genéticos – associação com HLA; fatores ambientais – exposição a sílica)

Critérios diagnósticos

  • Critério maior: alterações cutâneas esclerodérmicas em qualquer localização proximal às articulações metacarpofalangeanas
  • Critérios menores:
    • Esclerodactilia
    • Cicatrizes ou perda de substância em polpas digitais
    • Fibrose pulmonar bibasal
  • Diagnóstico: presença do critério maior OU ao menos dois dos critérios menores

Classificação

  • ES forma limitada ou síndrome CREST: acometimento de face, pescoço, distal aos joelhos e aos cotovelos
    • CREST = calcinose + Raynaud + esofagopatia + esclerodactilia + telangiectasias
  • ES forma difusa
  • ES sine esclerodermia: acometimento visceral sem quadro cutâneo detectável
  • Síndromes de sobreposição (overlap): associação de ES com LES, AR ou miopatias
  • Pré-esclerodermia: Raynaud com autoanticorpos específicos circulantes e/ou capilaroscopia alterada
  • A esclerodermia também pode ser dividida em:
    • Forma sistêmica (acometimento cutâneo e visceral):
      • Difusa
      • Limitada (CREST)
    • Forma localizada (restrita à pele):
      • Morfeia
      • Linear (“golpe de sabre”)

Patogênese

  • Na ES ocorrem dois processos patogênicos principais:
  • Desenvolvimento de fibrose
    • Ativação anormal do sistema imunológico
    • Produção de fatores de crescimento por macrófagos, endotélio e plaquetas
    • Deposição excessiva de colágeno
  • Disfunção vascular
    • Ativação e agregação plaquetária
    • Produção aumentada de vasoconstritores (tromboxane A2 e endotelina-1) e reduzida de vasodilatadores (NO e prostaciclina)
    • Isquemia tecidual e estímulo à fibrose

Achados clínicos

  • Fenômeno de Raynaud
    • Decorre de reatividade vascular anormal, geralmente evidenciada após exposição ao frio
    • Fenômeno de Raynaud clássico é trifásico: palidez cutânea, cianose e hiperemia reativa
    • Geralmente é uma das primeiras manifestações da ES
    • Praticamente universal na ES, pode ocorrer também na população normal, sem repercussões sistêmicas (doença de Raynaud ou fenômeno de Raynaud primário)
    • Na ES, pode cursar com reabsorção de polpas digitais (“pitting scars”) e ulcerações, além de fenômenos de oclusão vascular e alterações à capilaroscopia – padrão SD (o que não ocorre no Raynaud primário)
    • Pode haver “Raynaud sistêmico” (visceral)
  • Pele
    • Fase inicial: edematosa (presença de edema difuso e, às vezes, eritema e prurido)
    • Fase fibrótica:
      • Espessamento e endurecimento da pele
      • Xerodermia e prurido
      • Alterações de pigmentação (“sal e pimenta”)
      • Pode evoluir para contraturas em flexão dos dedos
      • CREST: telangectasias (face, palmas, mucosas), calcinoses
      • Acroesclerose
    • Pulmões
      • Alveolite e fibrose intersticial
        • Mais comum na forma difusa da ES
        • Dispneia aos esforços e tosse
        • Predominância basal e posterior
        • Alterações restritivas à prova de função pulmonar
      • Hipertensão pulmonar
        • Mais comum na forma CREST de longa evolução
        • Dispneia a esforços
        • Evolução para ICC direita
        • Elevada morbimortalidade
      • Trato GI
        • Acometimento esofágico (dismotilidade por atrofia da musculatura lisa): refluxo gastresofágico e disfagia
        • Acometimento intestinal: obstipação alternada com diarreia, suboclusões, síndromes de má-absorção
      • Acometimento musculoesquelético
        • Artralgias e artrites, contraturas articulares (esclerose)
        • Fibroses peritendíneas, musculares e de fáscias
        • Queixas de fraqueza muscular (miopatia é incomum na ES)
  • Poliomiosite e dermatomiosite
  • Sd. Sjoegren
  • DMTC

Deixe um comentário