Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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A. INTRODUÇÃO

Definição

  • Doença degenerativa da cartilagem articular.
  • Mais comum das afecções reumatológicas (20% da população).
  • Características gerais: dor articular mecânica, rigidez matinal autolimitada, crepitações articulares, redução da amplitude de movimento, relativamente poucas alterações inflamatórias.
  • Sítios mais frequentes: mãos (interfalangianas distais e 1ª articulação carpometacarpiana), joelhos, quadris e coluna vertebral.

B. EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO

Epidemiologia

  • Predomina em mulheres
  • Rara antes dos 40 anos
  • Incidência aumenta com a idade (mais de 80% da população a partir da 7ª década de vida)
  • Evolução crônica, lenta e sem sintomas sistêmicos
  • Principal causa de indicação de artroplastias de joelhos e quadris

Fatores de Risco

  • Obesidade: especialmente para osteoartrose de joelhos
  • Lesões articulares estruturais: ligamentais, meniscais
  • Presença de deformidades articulares: valgismo/varismo de joelhos, displasia de acetábulo, etc.
  • Fatores ocupacionais: esportes
  • Fatores hormonais: proteção estrogênica?
  • Fatores raciais: raça negra para osteoartrose de joelhos?
  • Fatores genéticos: especialmente para osteoartrose de mãos
  • Causas secundárias
    • Locais: lesões intra-articulares crônicas, osteonecrose, patologias inflamatórias (por cristais ou autoimunes), pioartrites, hemartrose (hemofilia), neuropatias, doença de Paget.
    • Sistêmicas/metabólicas: hemocromatose, doença de Wilson, amiloidose, acromegalia, hiperparatireoidismo, síndrome de hipermobilidade, etc.

C. PATOGÊNESE

Fases da Evolução da Doença

  • Cartilagem normal;
  • Cartilagem reacional: encurtamento de glicosaminas, alterações de proteoglicanos, desidratação da cartilagem;
  • Osteoartrose: redução de espaço articular, osteofitose, esclerose subcondral.

Mecanismo

  • Processo causado pelo desequilíbrio entre a síntese e a degradação da matriz extracelular da cartilagem articular.
  • Participação importante de moléculas como IL-1, metaloproteinases e radicais livres.

D. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

  • Doença articular mecânica e protocinética
  • Limitação articular progressiva
  • Evolução para deformidade articular (nódulos de Heberden e Bouchard, varo/valgo de joelhos, etc.)
  • Rigidez matinal de curta duração (menor que 30 minutos)
  • Crepitações articulares
  • Sinais flogísticos geralmente mínimos ou ausentes (exceto em exacerbações agudas)
  • Hipotrofia muscular por desuso

E. ACHADOS RADIOLÓGICOS E LABORATORIAIS

Achados Radiológicos

  • Redução do espaço articular
  • Osteófitos marginais
  • Esclerose óssea e cistos subcondrais
  • Podem ocorrer erosões ósseas em algumas formas de OA (diferenciar de artropatias inflamatórias)

Achados laboratoriais

  • São mais importantes para afastar outras doenças (artrite reumatoide, etc.)
  • VHS normal ou levemente aumentada
  • Líquido sinovial não-inflamatório (viscosidade normal e menos de 2000 células/mm³)
  • Fator reumatoide usualmente negativo

F. TRATAMENTO

Tratamento Não-Farmacológico

  • Orientação e conscientização do paciente
  • Perda de peso
  • Fisioterapia: analgesia, alongamentos, fortalecimento muscular
  • Terapia Ocupacional: órteses (especialmente para OA de mãos), proteção articular
  • Palmilhas: antivaro (OA de compartimento medial dos joelhos)
  • Estabilização da patela: tensores

Tratamento Farmacológico

  • Analgésicos: paracetamol (até 4g/dia), dipirona, opioides (eventualmente)
  • Anti-inflamatórios não-hormonais (AINH): comuns ou COX-2 específicos
  • Agentes tópicos: gel de AINH, capsaicina
  • Infiltrações intra-articulares: com cortidoides (metilprednisolona triancinolona) ou derivados do ácido hialurônico (viscossuplementação). Evitar mais que 3 infiltrações na mesma articulação por ano.
  • Drogas de ação lenta: efeitos condroprotetores controversos
    • Sulfato de glicosamina (1500 mg/dia) e sulfato de condroitina (1200 mg/dia): boa resposta sintomática, especialmente em OA de joelhos mais avançada;
    • Diacereína: inibidora da IL-1, com bom efeito sintomático especialmente em OA de quadris;
    • Extratos insaponificáveis de soja e abacate: inibição de IL-1, OA quadris e joelhos;
    • Antimaláricos (cloroquina): usados especialmente nos casos de OA erosiva/inflamatória.

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