HIPOGLICEMIA
X
Hipoglicemia em diabéticos
- Tríade de Whipple: glicemia < 70, sintomas compatíveis e melhora com a reposição de glicose
Hipoglicemia em não-diabéticos
- Tríade de Whipple: glicemia < 50, sintomas compatíveis e melhora com a reposição de glicose
Causas de hipoglicemia
- Em diabéticos (comum)
- Medicações: sulfonilureias, insulina, glinidas
- Atraso na refeição, exercício
- IRC, hepatopatia, má-absorção
- Em não-diabéticos (rara)
- Clínicas: defeitos enzimáticos, nesidioblastose
- Adultos: medicações, insulinoma, câncer, pós-cirurgia bariátrica, “reativa”
Sintomas de hipoglicemia
- Primeiros sintomas: autonômicos
- Adrenérgicos: taquicardia, tremores, ansiedade, palidez, hipertensão
- Colinérgicos: fome, sudorese, parestesias
- Neuroglicopênicos
- SNC: confusão, fraqueza, alterações de comportamento, alterações visuais
- Inconsciência, convulsão
- Morte
Gravidade da hipoglicemia
- Leve – sintomas autonômicos, melhora 15 minutos após ingesta 15g CHs
- Moderada – sintomas neuroglicopênicos, ajuda de terceiros
- Grave – inconsciência, convulsões, coma – assistência médica
- Assintomáticas: comuns no DM1 intensivo
Tratamento das hipoglicemias
- Leves: “regra dos 15”
- 15g de glicose VO
- Repetir em 15 minutos se necessário
- Graves
- Glicose EV (20-30g)
- Glucagon 1mg IM ou SC
CETOACIDOSE DIABÉTICA
Síntese de corpos cetônicos é inibida por pequenas quantidades de insulina
Para haver cetogênese excessiva:
- Deficiência severa de insulina: DM1
- Excesso de hormônios contrainsulínicos (cortisol, catecolaminas, GH): DM2 com stress grave (sepse, IAM, politraumatismo, etc.)
Fisiopatologia
- Hiperglicemia
- Cetose
- Acidose metabólica
Quadro clínico
- Instalação aguda/subaguda (horas/dias)
- Sintomas de hiperglicemia: poliúria, polidipsia, perda de peso
- Fagida, mal-estar
- Dor abdominal, vômitos (acidose)
- Taquipneia (Kussmaul), hálito cetônico
- Prostação, torpor / coma: 10 a 20% (casos graves)
Fator precipitante
- 1ª manifestação DM1 (25%)
- Infecção – urinária, respiratória, pé diabético
- Uso irregular de insulina
- IAM
- Uso de substâncias hiperglicemiantes
- Glicocorticoides
- Cocaína, álcool
Diagnóstico
- Critérios diagnósticos
- Glicemia > 250
- pH < 7,3 ou NaHCO3 < 15
- Cetonúria > 1+
- Acidose metabólica com anion gap alto
- Acúmulo de cetoácidos
- Eventualmente: CAD euglicêmica
- Jejum prolongado, gestação
Avaliação da Cetose
- Corpos cetônicos: acetona, acetoacetato e beta-OH-butirato
- Avaliação urinaria:
- Método do nitroprussiato (cetonúria) – não dosa beta-OH-butirato
- Dosagem plasmática: preferível
- Não é disponível em muitos serviços
Fórmulas úteis
- Osmolaridade efetiva:
- 2 (Na) + (glicemia/18) Normal: 280-290
- Ânion gap
- (Na) – (Cl + HCO3) Normal: < 8
- Correção do sódio pela glicemia
- Na + 1,6 x (glicemia – 100/100)
Classificação
X
Tratamento
- Meta: pH > 7,3
- 1) Hidratação
- Déficit: 2 a 6 litros
- Inicial: SF a 0,9% (isotônica)
- 1 litro EV rápido (em adultos)
- 20 mL/kg (em crianças)
- Seguintes: checar Na e hidratação
- Depletado: sempre SF 0,9%
- Hidratado: SF 0,9% ou SF 0,45% (hipotônica)
- Quando o paciente atingir glicemia < 250mg/dL: adicionar glicose à solução de hidratação (a 5%) – prevenção de hipoglicemia
- 2) Insulinoterapia
- Insulina rápida (regular)
- Via de administração: EV (1ª opção) e IM/SC (leves)
- Dose
- Bolus inicial
- 0,15 U/kg (EV)
- 0,3 U/kg (IM)
- Infusão: 0,1 U/kg/dia
- Bolus inicial
- Resultados esperados
- Queda da glicemia em 10% ou 50-80 mg/dL a cada hora
- Ajuste da infusão conforme queda da glicemia
- Quando glicemia < 250: reduzir dose pela metade
- 3) Potássio
- K corporal total diminuído
- Déficit: 500 a 700 mEq
- K plasmático muitas vezes normal/alto!
- Acidose metabólica, insulinopenia
- Shift de K do intra para o extracelular
- Repor K após o 1º litro de SF EV:
- Se 3,3 a 5,5: 20 a 30 mEq/L EV
- Se < 3,3: 40 a 60 mEq/L (suspender insulina)
- Bicarbonato
- Riscos:
- Acidose paradoxal SNC
- Desvio curva dissociação Hb
- Hipocalemia
- Raras indicações (adultos com acidose grave, hipercalemia)
- pH < 7 a 50 mEq/200mL AD – 1h
- pH < 6,9 a 100 mEq/400mL AD – 2h
- Máximo: 1 mEq/kg
- Outros eletrólitos
- Fosfato, cálcio, magnésio: raramente são necessários
- Riscos:
- K corporal total diminuído
Resolução da CAD
- pH > 7,3
- Ânion gap < 12
- HCO3 > 18
- Paciente BEG, hidratado, alerta
- Conduta:
- Suspender insulina EV
- (Re)introduzir insulina SC
Cuidados pós-CAD
- Se o paciente já usava insulina:
- Reintroduzir na dose usual
- Se o paciente não tinha tratamento prévio:
- Iniciar ~ 0,6U/kg/dia
- 50-60% basal, 40-50% rápida
- Esquema basal-bolus, 3 aplicações/dia
- Bolus suplementares se necessário (“correção”)
- Na transição da insulina EV para SC: sempre permitir pelo menos 1-2 horas de sobreposição
Complicações
- Mortalidade < 5% em bons centros
- Pior: idosos, gestantes, comorbidades
- Hipoglicemia (evitável)
- Hipocalemia (evitável)
- SARA
- Acidose hiperclorêmica
- Edema cerebral
- Mais frequente em crianças (1%)
- Cefaleia, vômitos, rebaixamento, convulsões, incontinência, coma
- Confirmação: TC de crânio – edema cerebral difuso
- Fatores de risco: queda muito rápida da osmolaridade
- Máximo 3mOsm/L/hora
- Limitar hidratação a 50 mL/kg nas primeiras 4 horas
- Manter glicemia 250-300 até resolução
- Mortalidade elevada (40 a 90%)
ESTADO HIPEROSMOLAR HIPERGLICÊMICO NÃO-CETÓTICO (EHHNC)
- Complicação exclusiva do DM2
- Hiperglicemia e depleção intensas
- Secreção residual de insulina consegue inibir a lipólise e a cetogênese
- Depleção SEVERA (6-10 L)
- Idosos, sequelados de AVC, mobilidade restrita, baixo nível de consciência
- Hiperglicemia SEVERA
- Hiperosmolaridade
- Relação com alteração mental
- Osmolaridade efetiva > 320
- Ausência de Cetose e acidose
Diagnóstico
- Critérios
- Glicemia > 600
- pH > 7,3 e HCO3 > 15
- Cetonúria – / discreta
- Osmolaridade > 320
- Instalação insidiosa
- Torpor/coma: 50%
- Insuficiência renal frequente
- Na normal ou elevado
Tratamento
- Insulinoterapia
- 0,1 U/kg/h – somente EV
- Manter até correção da osmolaridade
- Hidratação
- Vigorosa: SF a 0,9% ou 0,45%
- Glicose: quando glicemia < 300
- Potássio: idem CAD
- Tratar causas predisponentes
- Meta: Osm < 315, Alerta
Complicações
- Distúrbios hidroeletrolíticos
- Hipocalemia – monitorizar ECG
- Hipo ou hipernatremia
- Hipotensão/choque
- Hipoglicemia
- Mortalidade: 15 a 50%
- Pacientes mais idosos, com mais comorbidades

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