Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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HÉRNIAS INGUINAIS

Anatomia

  • Pele
  • Subcutâneo: 3 camadas – fáscia de Camper, fáscia de Scarpa
  • Músculo oblíquo externo
  • Fáscia: organização de tecido conjuntivo frouxo
  • Aponeurose: tecido conjuntivo denso
  • Músculo oblíquo interno: se insere no tubérculo púbico
  • Músculo transverso: se insere no tubérculo púbico  (área/tendão conjunta)
  • Fáscia transversalis
  • Gordura pré-peritoneal
  • Peritônio
  • Inserção alta/baixa do tendão conjunto
  • Músculo cremaster é músculo oblíquo interno para revestimento do funículo espermático
  • Trígono de Hasselbach: vasos epigástricos inferiores, ligamento inguinal e – região de fraqueza
  • Perguntas
  • Quais músculos formam a região inguinal? Oblíquo externo, oblíquo interno e transverso abdominal.
  • Quais nervos eu posso lesar? Ilio-hipogástrico, ilio-inguinal e r. genital do genitofemural.
  • Quais vasos eu tenho que saber? Plexo panpiniforme, a. testicular e vasos epigástricos
  • Quem forma o tendão conjunto? Inserção do oblíquo interno e transverso abdominal
  • Limites do Trígono de Hasselbach? Ligamento inguinal, m. retoabdominal e vasos epigástricos.

Hérnias Inguinais

  • Dentro do Trígono de Hasselbach: diretas (medial aos vasos inferiores)
  • Fora: indiretas (lateral)

Avaliação

  • Qual é o exame padrão-ouro diagnóstico? Exame físico
  • Queixas mais frequentes? Dor e sensação de peso relacionado ao esforço.
  • Como as hérnias podem se apresentar? Redutível, encarcerada e estrangulada (sofrimento isquêmico).
  • Fatores de risco associados? Próstata, dor crônica, constipação e pressão abdominal.

Classificação Nyhus

  • Tipo I: hérnia indireta com anel inguinal normal
  • Tipo II: hérnia indireta com anel alargado com parede posterior preservada
  • Tipo III: parede posterior A direta B indireta C femoral
  • Tipo IV: hérnias recidivadas: A direta B indireta C femoral D mistas

Classificação Gilbert

  • I: indireta com anel interno não dilatado
  • II: indireta com anel interno dilatado  < 2cm
  • III: indireta com anel interno dilatado > 2cm
  • IV: direta com destruição da parede posterior
  • V: direta recorrente no tubérculo púbico ou diverticular
  • VI: combinada direta/indireta
  • VII: femoral

Tratamento

  • Exclusivamente cirúrgico!
  • Técnicas Cirúrgicas
  • Lichtenstein: reparo com baixíssimo índice de recidivas! Palavras-chave: “tension free” e correção com “tela”
  • Bassini e Zimmerman: palavras-chaves: “tendão conjunto no ligamento inguinal” e “fáscia transversalis na cinta ileopectínea”
  • Shoudice: mais complexa de se realizar. Palavras-chave: “imbricação de 4 planos músculo-aponeuróticos”
  • Stoppa: “reparo pré-peritoneal”. Bom para hérnias recidivadas! Descolamento pré-peritoneal e colocação de tela por BAIXO.
  • Videolaparoscópicas: TEP e TAPP – negativo: aumenta o custo e risco anestésico – positivo: retorno precoce às atividades e menos dor.
  • Qual técnica é a melhor? Queixa: crescimento – cirurgia; dor – TC de abdome, USG inguinal, RM abdome; se encarcerada – aberta; se unilateral – aberta ou vídeo; se bilateral – vídeo; se recidivada – alternar técnica.

Complicações

  • Risco de vida: laparoscopia > aberta
  • Dor crônica: complicação mais  comum do reparo aberto
  • Recorrência: complicação mais comum do reparo laparoscópico
  • 1. Infecção da ferida: risco estimado de 1 a 2%; menos comuns nos reparos laparoscópicos; associado com as comorbidades do paciente. Antibioticoprofilaxia? A critério do cirurgião.
  • 2. Lesões nervosas: dor em cima da ferida operatória – N. Íleo-hipogástrico; face medial da coxa – N. Ileoinguinal; face anterior da coxa – ramo femoral; região escrotal e perineal – ramo genital.
  • 3. Orquite isquêmica: trombose das veias do plexo pampiniforme por manipulação cirúrgica intensa; congestão venosa e aumento testicular; atrofia testicular é a evolução natural; grandes dissecções do cordão espermático.
  • 4. Lesão de ducto deferente: “vasectomia” involuntária
  • 5. Recorrência: ocorre entre 1 a 3% dos casos em 10 anos; diretas são mais propícias a recorrência; a taxa de vídeo e convencional são iguais; o tratamento envolve técnica alternativa.

HÉRNIAS FEMORAIS, UMBILICAIS, EPIGÁSTRICAS E INCISIONAIS

  • Femural: osso do fêmur
  • Femoral: estrutura da coxa

Localizadas abaixo do ligamento inguinal

Mais comum à direita: poro sigmoide

* na inguinal também: embriologia – fechamento do canal inguinal direito é mais tardio que o esquerdo.

Tratamento

  • Técnica de McVay:
  • Técnica de Lichtenstein adaptada: Hollywood – “charuto”

Hérnias Umbilicais

  • Persistência do anel umbilical após o nascimento
  • Tendência de fechamento espontâneo até os 5 anos (se < 2 cm, não esperar)
  • Adultos com aumento da pressão abdominal
  • Defeitos com > 2 cm devem ser corrigidos logo
  • Tratamento ELETIVO durante o transplante hepático
  • Tratamento de URGÊNCIA em caso de ruptura
  • Tela de polipropileno se anel > 3 cm (2,5 cm)

Hérnias Epigástricas

  • Herniação entre o xifoide e o umbigo
  • Dor “surda” em mesogástrio
  • Outros defeitos associados em 20% dos casos

Hérnias Incisionais

  • Deiscência aponeurótica pós-cirúrgica
  • Infecção do sítio cirúrgico e obesidade
  • Diabetes, ascite, idade avançada, neoplasia…
  • Índice de recidiva aumentado
  • Defeito < 2 cm – reparo primário
  • Defeito > 2 cm – tela de polipropileno
  • Preferencialmente, abordagem convencional

HÉRNIAS ESPECIAIS

1. Hérnia de Littré

  • Descreveu as glândulas mucosas da uretra masculina como anatomista
  • “Língua intestinal”/divertículo de Merkel = Littré

2. Hérnia de Amyand

  • Conteúdo apendicitário em saco herniário inguinal
  • Amyand = Apêndice

3. Hérnia de de Garengeot

  • Hérnia femoral com conteúdo apendicitário

4. Hérnia de Richter

  • Qualquer tipo de hérnia com pinçamento circunferencial de alça intestinal

5. Hérnia de Sphigel

  • Linha de Sphigel = linha semilunar; transição de 2 para 1 folheto.
  • Hérnias formadas na linha de Sphigel.

HÉRNIAS INCOMUNS

  1. Hérnias Lombares (fora da parede abdominal)
  • Grynfelt (superior): é a mais comum; borda da 12a. costela + m. denteado menor + m. oblíquo interno
  • Petit (inferior): crista ilíaca + m. oblíquo externo + grande dorsal
  • Reparo com sutura e fios INABSORVÍVEIS e tela

2. Hérnia Obturadora

  • Mais comum em mulheres e pessoas debilitadas
  • Fraqueza da membrana obturatória
  • Compressão do nervo obturador
  • Sinal de Howship-Romberg: dor na face interna da coxa

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