Médico radiologista, com atuação em radiologia geral e musculoesquelética.

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Definição

  • Tireotoxicose – síndrome clínica devido a excesso de hormônios tireoidianos (qualquer causa)
  • Hipertireoidismo – excesso de produção de hormônios tireoidianos pela tireoide
  • Cuidado com a terminologia! Todo hipertireoidismo é hipertoxicose, mas a recíproca não é verdadeira

Tireotoxicose COM hipertireoidismo

  • Doença de Graves
  • Bócio multinodular tóxico
  • Adenoma tóxico (dç. Plummer)
  • Excesso de iodo (Jod-Basedow)
  • Tumores trofoblásticos (HCG)
  • Hipertireoidismo central (aumento TSH)
  • Hipertireoidismo familiar
  • Hipertireoidismo neonatal transitório

Tireotoxicose SEM hipertireoidismo

  • Tireotoxicose factícia
    • Uso hormônio tireoidiano
    • “fórmulas” para emagrecer
  • Tireoidites
  • Tecido tireoidiano ectópico
    • Struma ovarii
    • Metástase Ca folicular (1%)

Doença de Graves (Europa: Jod-Basedow)

  • Tireoidite crônica autoimune
  • Produção de anticorpo IgG contra o receptor do TSH
    • Ação estimulatória
    • TSH-Receptor Antibody (TRAb)

Bócio multinuclear (BMN)

  • Etiologia: ?
    • Deficiência iodo
    • Fatores genéticos (MNG)
  • Causa importante de tireotoxicose em idosos (> 50 anos)
  • Evolução longa (décadas)
    • Inicialmente = atóxico – eutireoide
    • Alguns se tornam tóxicos – tireotóxicos
    • Conversão atóxico em tóxico
      • Mais comum em bócios mais volumosos
      • Estimativa – 10% em 10 anos

Doença de Plummer

  • Bócio uninodular tóxico
  • Alterações no gene do receptor do TSH ou do seu sinalizador intracelular, a proteína G
    • Ativação constitucional
  • Mais comum
    • Jovens (30 a 40 anos)
    • Nódulos > 2,5 a 3 cm

Hipertireoidismo familiar não-autoimune

  • Mutações germinativas ativadoras do receptor do TSH
  • Autossômica dominante
  • Anticorpos negativos
  • Início precoce

Quadro clínico

  • Aumento do metabolismo basal
  • 50 a 100% (termogênese)
  • Perda de peso (mesmo com aumento do apetite)
    • Massa magra (músculo)
  • Intolerância ao calor
  • Sudorese profusa
  • Mãos quentes, úmidas
  • Hiperatividade adrenérgica
    • Aumento do número e da sensibilidade dos receptores adrenérgicos
  • Taquicardia constante (repouso)
  • Palpitações
  • Vasodilatação
    • Queda da PA diastólica
    • Aumento PA sistólica e de pulso
  • Insônia, psicose, alucinações
  • Agitação, taquicinese
  • Irritabilidade
  • Aceleração do trânsito intestinal
    • Hiperdefecção
  • Intolerância ao exercício
  • PPHT (paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica) – homem oriental
  • Onicólise
    • Unhas de Plummer
  • Bócio
    • 75 a 90% dos pacientes com doença de Graves
      • Aumento difuso, moderado, firme à palpação, com aumento difuso da vascularização (sopro)
    • 100% dos BMN
      • Tireoide volumosa, irregular

Palpação

  • Nódulo único numa tireoide de aspecto normal (principalmente se o nódulo > 3 cm)
    • Considerar doença de Plummer
  • Dor à palpação
    • Tireoidite subaguda
  • Ausência de bócio
    • Considerar tireotoxicose factícia ou fonte ectópica (struma ovarii)

Olhos

  • Achados comuns em qualquer causa de tireotoxicose:
    • Retração palpebral (“olhar assustado”)
  • Achados exclusivos da doença de Graves (Oftalmopatia de Graves ~ 50%)
    • Proptose (exoftalmo)
    • Sinais inflamatórios: edema, hiperemia
    • Alterações motoras

Dermopatia

  • Região pré-tibial
  • “Mixedema”
  • Placa infiltrada, violácea, com aspecto de “casca de laranja”
  • Exclusiva da doença de Graves
    • 1 a 3%
    • Associadas a oftalmopatia (~100%)
    • Hipertireoidismo grave, altos títulos de anticorpos

Idosos

  • Menos irritabilidade e intolerância ao calor
  • Bócio discreto ou ausente
  • Mais evidentes:
    • Perda de peso ou anorexia
    • Depressão (hipertireoidismo apático)
    • Complicações (fibrilação atrial, osteoporose)

Crise Tireotóxica

  • Quadro mais severo de tireotoxicose
  • Precipitada por alguns fatores
    • Infecção, trauma, ingesta de iodo, stress, cirurgia, parto
  • Emergência clinica – iniciar tratamento antes da divulgação de resultados laboratoriais
    • Antitireoidianos, beta bloqueador, glicocorticoides
  • Alta mortalidade (30%)
  • Manifestações
    • Hipertermia
    • Taquicardia ou insuficiência cardíaca
    • Alterações neurológicas – psicose, convulsões, coma
    • Disfunção gastrintestinal – diarreia, vômitos, icterícia
    • Presença de fatores desencadeantes

Diagnóstico

Achados inespecíficos:

  • Leucopenia (Graves)
  • Hipercalciúria
  • Hipercalcemia
  • Hiperbilirrubinemia
  • Redução do colesterol

Definição da etiologia

  • Achados clínicos
  • Na dúvida diagnóstica: podem-se usar exames adicionais
  • Cintilografia
    • Captação de iodo 131 (RAIU) – divide casos de tireotoxicose com e sem hipertireoidismo
  • Anticorpos (TRAb, anti-TPO)
  • Ultrassonografia

Cintilografia

  • Correlação anatomo-funcional
  • Hipertireoidismo – captação de iodo alta
  • Sem hipertireoidismo – captação de iodo baixa ou nula

Ultrassom

  • Diferencial entre bócio difuso (Graves) e bócio multinodular

Tratamento do hipertireoidismo

  • 3 opções
    • Medicamentos antitireoidianos
    • Iodo radioativo (I-131)
    • Cirurgia

Antitireoidianos

  • “Tionamidas”
    • Metimazol – TPZ
    • Propiltiouracil – PTU
  • Inibem a tireoperoxidase (TPO)
    • Reduzem a organificação de iodo e a síntese de hormônios
    • PTU ainda inibe a conversão periférica de T4 em T3 (em altas doses)

X

Agranulocitose

  • Rara (0,1 a 0,5%)
  • Potencialmente fatal
  • Sintomas:
    • Febre alta, odinofagia, úlceras em cavidade oral
    • Granulócitos <1000 (500)
  • Tratamento: interromper droga, antibioticoterapia, G-CSF
  • Orientar o paciente (sintomas)

X

Medicações adjuvantes

  • Beta-bloqueadores
    • Alivio sintomático até que haja efeito das tionamidas
    • Tireoidites
  • Propanolol ou atenolol
    • Bloqueadores canais Ca: se contraindicação aos beta-bloqueadores
    • Diltiazem, verapamil

Iodo radioativo

  • Isótopo 131 do iodo
    • Natural: iodo-127
  • Irradiação localizada sobre a tireoide (principal captador de iodo)

X

Resultados

  • Controle da tireotoxicose em 4 a 8 semanas em 70% (Graves)
    • Redução 50% do volume inicial do bócio (BMN)
    • Boa eficácia em Plummer (principalmente pequenos)
  • Cuidados
    • Suspender antitireoidianos
    • Dieta pobre em iodo (30 dias)

Efeitos adversos

X

Na oftalmopatia de Graves

  • Administração de I-131 pode levar à piora transitória do quadro ocular
    • Fumantes
    • Preparo com corticoides
  • Evitar gravidez por 6 meses após o I-131

Gestação

  • Antitireoidiano de escolha para uso na gravidez
    • PTU
      • Menor passagem pela placenta
      • Mais seguro (TPZ pode causar aplasia cútis fetal)
      • Menor dose possível (< 300 mg)
    • Sem melhora: tireoidectomia
      • Segundo trimestre
    • Riscos
    • X

Cirurgia

  • Indicações
    • Casos refratários ou intolerantes aos antitireoidianos
    • Contraindicação ou recusa ao I-131
    • Ineficácia do I-131
      • BMN muito volumoso
      • Sintomas compressivos
      • Plummer > 3 a 4 cm
    • Nódulo suspeito para neoplasia
    • Graves na infância ou gravidez
  • Técnica de escolha
    • Graves: tireoidectomia parcial
      • Deixa uma parte de um lobo tireoidiano
        • Menos complicações
        • Menos hipotireoidismo
        • Mesma eficácia
      • BMN: tireoidectomia total
    • Preparo pré-operatório
      • Tionamidas, beta-bloqueador
      • Lugol (iodo): diminuição da vascularização (Graves)
    • Resultados
      • Cura da tireotoxicose em 98%
      • Alivio imediato compressão
    • Complicações
      • Hipotireoidismo (+ comum)
        • Ressecções extensas
        • Graves: 40%
      • Hipoparatireoidismo (~1%)
      • Lesão n. laringeo recorrente

Hipertireoidismo subclinico

  • TSH diminuído com T3 e T4 normais
  • Prevalência estimada
    • 2% dos adultos
    • Mulheres idosas
  • Causas: Graves, BMN, Plummer
    • Fases iniciais
  • Uso de levotiroxina para tratamento do hipotireoidismo
    • TSH baixo em 20% (dose excessiva)
  • Cuidado!
    • Sempre confirmar com a repetição do exame antes de tomar qualquer conduta
    • 50% normalizam espontaneamente
  • Afastar causas de supressão do TSH
    • Glicocorticoides, dopamina
    • Doença sistêmica grave
    • Stress, doença hipofisária
  • Riscos
    • Disfunção cardíaca (TSH <0,4)
    • Fibrilação atrial: risco 2 a 3x maior com TSH <0,1
    • Perda de massa óssea e aumento de 3 a 4x no risco de fraturas: TSH <0,1 em mulheres menopausadas
  • Quando tratar?
    • TSH persistentemente <0,1
    • Sintomas sugestivos
    • Idosos (> 60 anos)
    • Mulheres pós-menopausadas
    • Doença cardiovascular
      • FA, coronariopatia, ICC
    • Monitorização
      • Pacientes jovens, com TSH entre 0,1 e 0,4, sem comorbidades

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HIPERTIREOIDISMO

Hipertireoidismo x Tireotoxicose
• Doença de Graves
• Aceleração metabólica
• TSH, T3, T4 livre, TRAb, cintilografia
• Tratamento
– Drogas antitireoidianas
– Radioiodoterapia
– Tireoidectomia
• Oftalmopatia

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